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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Eutanásia!

 

Esta é uma discussão para a qual, admito, tenho complexos e receios, preconceitos e anseios, dificuldades em desligar os dogmas incutidos na infância, e que bem ou mal fazem de mim o homem que hoje sou.

Sou cristão, católico, e por isso esta discussão reveste-se de uma imensa complexidade, no entanto, reconheço que tem de ser feita e debatida numa sociedade plural como aquela que temos, nestes meados do séc. XXI.

Não me julgo dono da verdade, não conheço esse tremendo sofrimento que muitos assistiram, através da dor prolongada de entes queridos, ou mesmo, esse desesperante sentimento de não se ser senhor, da nossa própria morte.

Para mim, admito, é algo em que evito pensar, não consigo lidar bem com essa ideia de que chegará um dia, espero bem longe, definitiva e arrebatadora.

Por não lidar bem com essa palavra, revestida de tamanha brutalidade, é que respeito imenso o tema e o seu debate,  apesar de ser contra esse direito concreto, de pôr um termo à vida, direito esse que acredito pertencer apenas a Deus, concordo que seja importante definir de uma vez por todas, qual o caminho que o país deve seguir.

A única coisa que me parece indiscutível, para mim, é a forma como este debate deve ser feito, deve de ser decidido...

Pelas pessoas.

Se querem levar por diante esta discussão, esta decisão, então julgo que esta deve ter o mesmo tratamento, que teve a discussão sobre o Aborto...

Ou seja referendo.

O Parlamento e os partidos, não devem legislar sobre uma medida desta natureza, desta complexidade, sem dar a voz aos seus cidadãos, deixando que estes possam expressamente demonstrar através do voto, qual a vontade sobre tão importante assunto.

E assim, feita a discussão, decidido o lado em que cada um se colocará, o país ficará mais esclarecido e certamente a decisão será mais consciente.

E depois, seguirão as dúvidas e continuarão as incertezas, pois num tema tão delicado e fracturante será sempre a fé ou a falta dela a definirem muito do nosso pensamento.

 

Filipe Vaz Correia