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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Cobardes Desabafos...

 

Ainda me recordo, como se fosse possível esquecer...

Ali por entre os portões daquele hospital, olhando para aquelas janelas, frias janelas que escondiam a tua presença, essa mágoa imensa de uma constante ferida, de dor, ardor angustiante da minha cobarde forma de ser.

Ali estive...

Aguardando a coragem que nesse dia não tive, por entre as lágrimas que disfarçadamente tentava controlar.

Nessa mistura de medo, receio, constatação de um fim que a todo o custo tentava renegar, encontrava no singelo continuar de dias e noites, dessa tua vida descompassada.

Parecia que o medo maior era meu, mas morrias tu...

Parecia que esse ardor desbravava a minha alma, mas era a tua que corajosamente se levantava a cada obstáculo, em cada pedra no caminho...

Ainda me recordo do teu olhar, da expressão desse olhar que de certa forma também me pertencia.

Ainda hoje recordo essa minha cobardia, numa expressão maior desse amor, amizade, que não conseguia expressar em palavras...

Só a tua coragem, apenas isso.

E eu aqui recordando, por palavras a ausente expressão desse momento em que quebrei, reservei em mim todas as frustrações desse destino desencontrado.

Ali estava eu, nos portões daquele hospital, olhando para as janelas daqueles prédios cinzentos, frios, despidos de esperança, carregados de desesperança, essa mesma, que veio resgatar de nós...

Essa amizade, que agora se tornou silenciosa.

O que aprendi com tamanha tristeza, arrependimento sem culpa, é que por vezes, nesse misto de dor, se esconde a expressão de um amor, escondido na imensa vontade de tentar renegar esse fim que não se pode evitar...

Mas que cobardemente se tenta...

Se tenta eternizar para que jamais aconteça.

 

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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