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Caneca de Letras

Caneca de Letras

As Mãos de uma Velha...

 

Vi-te velhinha;

De mãos ao vento,

Vazias, calejadas, penduradas,

Contando o tormento,

E há muito abandonadas...

 

Sentada na porta de uma casa;

Com o desespero estampado no rosto,

À espera que a morte dê asa,

E lhe chame para o seu posto...

 

Nesse dia quem passar;

Não mais a irá ver,

Provavelmente sem notar,

Que a velha acabou de morrer...

 

Mas o que importa uma mulher;

Imunda, suja, desesperada,

O que importa querer ver,

Aquela alma cansada...

 

Esquecemos é que um dia;

A velha já foi gente,

Era nova e até sorria,

E tinha sonhos na mente...

 

Por partidas do destino;

Encontrou a solidão,

A tristeza levou-lhe o tino,

E a dor o coração...

 

Assim que Deus nos proteja;

De tamanha maldição,

E que longe o dia esteja,

De nos levarem ao caixão...

 

E vazia ficou a porta;

Mais limpa aquela rua,

Pois já não sofre a velha torta,

Nem a sua alma nua...

 

Aqui passou uma vida;

De lágrimas, desgostos, sofrimento,

Acabou coitada, perdida,

Por entre a chuva e o vento...

 

Adeus velho coração;

Que Deus a todos nos guarde,

E que nos evite a emoção,

De igual, destino cobarde!

 

 

 

 

 

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