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Caneca de Letras

Caneca de Letras

As Árvores da Minha Rua...

 

Dou por mim a pensar, nestas árvores que ladeiam a minha rua, no esvoaçar dos seus galhos, no cair das suas folhas, na vida que se esconde para lá da sua aparência...

Quantas vidas passaram por elas?

Quantas almas se cruzaram com o bater das suas folhas?

Quantas histórias ficaram cravadas no tronco da sua idade?

Perguntas que me invadem enquanto as observo e me interrogo...

Nesta constante repetição, ano após ano, elas crescem, ao encontro desse céu, para nós divino, guardando memórias, esperanças, tristezas, vidas que um dia ali se cruzaram.

Quantos namorados ali fizeram juras de amor?

Quantas lágrimas regaram as suas raízes?

Quantos momentos ou tormentos presenciaram...

Serei mais um, que as contempla, que as admira...

Serei mais um que escreve sobre a sua beleza, as suas emoções?

Terão memória estas árvores?

Chorarão elas a cada partida de um simples Homem, que um dia conheceram?

Viram Filhos transformarem-se em Pais, Avós que já foram Netos, Vidas que ainda não nasceram, mortes que ainda não chegaram.

Nestas questões que me perseguem, nestas dúvidas que me assolam, vejo uma vez mais, essas folhas que insistem em cair como se de lágrimas se tratassem, tombando sem receio de tocar o chão da minha rua...

Fecho a janela de minha casa e deixo para trás aquela imagem, aquele pensamento que tantas vezes me preenche a alma, acreditando no entanto, que mais uma memória terá ficado nas Árvores da minha rua.

 

Filipe Vaz Correia

 

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