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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Adeus...

 

Um adeus...

Sempre que se diz adeus, a alma se contrai, a vontade se retrai, a querença diminui.

Um adeus definitivo, decisivo, desarmante.

Quando se ama, esse amor que se torna maior, não correspondido, o adeus é o maior temor da alma, mesmo que a fraterna alma, não creia que seja possível...

Mas, por vezes, é.

Esse adeus chega...

Quebrando decisivamente o querer, o olhar que se diluiu sem expressar, o amor que partiu sem explicar.

Nas entrelinhas do coração, nessas entrelinhas indescritíveis, vai se escapando a explicação para tamanha dor, para essa dor tamanha...

As palavras que sempre escasseiam, em momentos como estes, tornam-se no fel que fica armazenado no pensamento, no desgosto tornado em esperança.

Pois nada é mais cortante do que um amor...

Perdido, despido, desapegadamente enganador.

E na hora de um adeus, sobra a esperança de um renascer...

Sem mágoa...

Sem ti.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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