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Caneca de Letras

Caneca de Letras

A Minha Lisboa...

 

Sentado no Nicola, no Rossio, contemplo a nova vida cosmopolita da minha cidade...

Da minha, Lisboa.

Encontro como gerente, um amigo de muitos anos, que antes trabalhava na mítica Mexicana e me convida a sentar, onde aproveitei para beber um belo café, acompanhado por um retemperador whisky, cheio de pedras de gelo, como convém num dia de tanto calor.

Aqui acompanhado por estas fachadas, por estas pedras da calçada, impregnadas de história, de histórias, voo pelo tempo, imagino rostos, emoções em cada uma daquelas pessoas.

Oiço Alemão, Inglês, Espanhol ou Chinês, intervalado pelas fotografias amarradas a cada Japonês que desfila por aqui, em tantos e tantos tuc-tuc, como pequenas formigas, serpenteando por entre os carros que passam sem parar...

Jovens e velhos, amigos e famílias, casais e gente sozinha, vislumbram ali, com espanto a beleza eterna, intemporal, desta cidade, com a tamanha luz que a embeleza, vezes sem conta, como nenhuma outra, como em nenhum outro lugar.

Aqui já esteve sediada a sede da Inquisição, há muitos séculos atrás, aqui Reis e Rainhas vieram ao teatro, escritores e artistas se reuniram em tertúlias e conspirações, aqui se conta grande parte da nossa história, da nossa alma...

Daqui vejo uma parte, do Castelo de São Jorge, escondido, meio envergonhado, o elevador de Santa Justa, imponente, altivo, por aqui observo a agitação insistente que tomou conta desta nova cidade...

A velha Lisboa.

E assim, sentado no Nicola, envolvido por esta nova alma, por tanta e tantas pessoas, sou mais um a contemplar, os segredos guardados em cada pedra desta calçada, em cada fotografia pintada, nesta tela viva, em que se tornou a minha cidade...

A Lisboa, de todos nós!

 

 

Filipe Vaz Correia