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Caneca de Letras

Caneca de Letras

A Minha "Antiga" Casa!

 

Do lado de fora de casa, tudo parece igual...

Tantos anos depois e tudo parece igual.

Apenas parece...

As persianas corridas, as mesmas persianas, o mesmo branco nas paredes do prédio, a mesma porta de ferro verde.

Do lado de fora de minha casa, que não me pertence mais, até aquele cheiro que insisto em recordar, parece querer se reencontrar comigo.

Mas nada está igual...

Nada mais será igual.

Aquelas janelas estão vazias de mim, dos meus, aquelas paredes que talvez ainda me reconheçam, têm agora outros olhares, outras vozes, outras vidas como companhia.

E eu ali parado...

Expectante por amarrar em mim, aquele instante em que penso voltar no tempo, para esse momento, para tantos e tantos momentos onde fui feliz.

Mais de 30 anos, por entre aquelas escadas de madeira, por entre o barulho constante dos eléctricos que à minha porta passavam.

As minhas primeiras interrogações ali surgiram e ali morreram, os primeiros medos ali nasceram e por lá ficaram, os primeiros sorrisos que ali me surpreenderam e ainda ali devem ecoar...

Naquelas paredes estão cravadas as minhas primeiras lágrimas e em lágrimas dali me despedi.

Ainda ali estou, apesar de não estar, ainda ali estão sonhos e desilusões, conversas e desesperos, abraços e beijos, perdidos eternamente...

Sempre eternamente, assim como eterna, é esta memória que me envolve.

Do lado de fora desta casa que sempre será a minha, parto, despedaçadamente infeliz, buscando nessas memórias, o contentamento que tantas vezes senti.

Pois ali nasci, cresci...

E ali sempre ficará parte de mim.

Até um dia.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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