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Caneca de Letras

Caneca de Letras

É Natal, É Natal!

 

 

 

Oiço os sinos a tocar;

As pessoas carregadas de afecto,

Gentes a quem abraçar,

Abraços repletos,

E os meus olhos a carregar,

Tamanhas lágrimas...

 

Oiço risos e sorrisos;

Graúdos e pequenos,

Gestos imprecisos,

Por entre os desenhos,

Da minha solitária, solidão...

 

Está frio nesta rua;

Rua despida para mim,

Está frio nesta loucura,

Aprisionado pedaço sem fim...

 

É Natal;

É Natal,

É Natal...

 

É Natal;

Mas não nesta poesia.

 

 

Maior Do Que A Vida!

 

 

 

Nunca renegarei este amor;

Esta imensa vontade de te amar,

Amor sofredor,

Capaz de ultrapassar,

Por vezes o enganador,

Verso a poetizar...

 

Nunca deixarei de te olhar;

De saber caminhar,

Por entre esse intenso acreditar,

Acreditando sem falar,

Que é dor esse balançar,

Da alma...

 

Que esmaga sem esquecer;

Aperta sem dizer,

Amarra sem ceder,

Esvoaça sem morrer...

 

Porque é maior do que o vento,

Do que se tornou tormento,

Estranho sofrimento...

 

É maior este amor;

Do que a vida.

 

 

 

 

 

No Fundo Da Alma!

 

 

 

Olha bem no fundo da alma;

Dessa alma desamparada,

Vislumbra aquele pedacinho,

Pedaço de nada,

Que de mansinho,

Respira...

 

Olha bem no fundo da alma;

Dessa parte despedaçada,

Pincelada desiludida,

Numa pintura desanimada,

Sem cor...

 

Olha bem no fundo da alma;

Lá no fundo, bem escondida,

Buscando a esperança,

Há muito perdida,

Em mim...

 

Olha bem no fundo da alma;

Lá no fundo...

 

 

 

 

Dias e Noites!

 

 

 

Dias cinzentos;

Noites escuras,

Pedaços de vento,

Lágrimas impuras,

Contando o sofrimento,

Sofrendo as torturas,

Do recordado tormento,

Estranha desventura,

De um antigo sentimento,

Renovada censura,

Em mim...

 

Dias e dias cinzentos;

Noites e noites escuras,

Incapazes de apagar,

Esta memória,

Para sempre presente,

Em mim...

 

Em mim;

De ti.

 

 

Angústia...

 

 

 

Palavras ocas;

Na intensa escuridão,

Orelhas moucas,

Maldita solidão,

Dos que sonham,

Sós...

 

Vozes esquecidas;

Lágrimas ensurdecedoras,

Mágoas antigas,

Imagens demolidoras,

Recordando velhas feridas,

Devastadoras...

 

Histórias aprisionadas;

Aprisionando a estranha razão,

Razão desencontrada,

Deste desencontrado coração...

 

Silenciosa amargura;

Expressa em cada linha deste poema,

Outrora ternura,

Desventurado teorema,

Do que um dia foi aventura,

Do que agora é dilema,

Eternamente angústia...

 

Eternamente angústia.

 

 

 

 

Coração De Papel!

 

  Mágoas a disfarçar;

Fingindo que não são lágrimas,

Essa esperança a secar,

No meu rosto...

 

Neste rosto;

Que carrega a angústia no olhar,

Reflectindo o desgosto,

De um amargurado amar...

 

Que descompassadamente se desvanece;

Desiludidamente se entristece,

Loucamente enlouquece,

Devagarinho desaparece...

 

Lentamente desaparecendo;

Por entre a imensa desilusão,

Que de mansinho se foi escondendo,

Neste triste coração...

 

Neste triste coração de papel.