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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Todas as Noites......

 

 

 

Fujo todas noites;

De mim,

Dos pesadelos que me acorrentam,

Das mágoas que regressam sem fim,

Ou das dores que me sufocam,

Indefinidamente...

 

Fujo todas as noites;

Dos medos que me controlam,

Dos fantasmas que me circundam,

Das vozes que gritam,

Sem parar...

 

Fujo todas as noites;

Daquela criança assustada,

Que insiste em chorar,

Daquela voz embargada,

Que não pára de soluçar...

 

Todas as noites fujo;

Do escuro,

Dos medos,

De tudo o que se esconde,

Em mim...

 

E que sendo meu;

Desesperadamente me persegue.

 

 

 

Perdida Inocência...

 

 

 

Vagas de mar;

De espuma e areia,

Ondas a gritar,

Essa força inteira,

Que invade devagar,

A dor derradeira,

Da minha perdida inocência...

 

Imagens escondidas;

Arrepios segredados,

Palavras repetidas,

Em quadros pintados,

Lágrimas esquecidas,

Amores adiados...

 

E secretamente;

Por entre as linhas de uma carta,

Discretamente,

Pelos traços de um quadro,

Insanamente,

Nos coloridos desejos de um sonho...

 

Vou recordando;

A perdida inocência,

Que me fugiu.

 

 

 

Secreta Poesia...

 

 

 

Tenho em mim;

Todas as estrelas do mundo...

 

Mesmo se o mundo tiver fim,

E se o fim tiver fundo,

Se o medo sentir enfim,

Um adeus profundo...

 

Tenho em mim;

Tantas mágoas e vozes,

Desenhos e cores,

Amarras e algozes,

De estranhos amores,

Perdidos cenários da alma...

 

Tenho em mim;

As letras deste poema;

As silabas de um teorema,

Palavras de um dilema,

Que não me chegam...

 

Tenho em mim;

Toda a magia,

De uma secreta poesia.

 

 

Passado...

 

 

 

Será que posso revelar;

O que esconde o meu coração?

 

O que esconde a emoção;

Desbravando inquieto,

O carregado semblante,

Desse receio, entrelaçado,

Esse medo, aprisionado,

Em cada lágrima nossa...

 

Em cada memória;

Guardada em nós,

Pedaço de história,

Cravado na pele,

No sentido destino,

Da alegórica alma...

 

E vai continuando;

A louca melodia,

O deslumbrante pensamento,

Do que foi um dia,

Esse nosso amor.

 

 

Vinte e Um Anos...

 

 

 

Passaram vinte e um anos;

Que lentamente esvoaçaram,

Por entre as memórias que sobraram,

As mágoas que ficaram,

Em mim...

 

Passaram vinte e um anos,

Como se passasse a intensa dor,

Amarrando o sentimento,

Ao entorpecente ardor,

Com que o tempo,

Tudo leva...

 

Passaram vinte e um anos,

E neste dia,

Vão regressando,

Um a um...

 

Numa intensa melancolia,

Pedaço de uma saudade,

Abraço de nostalgia,

Num adeus de verdade...

 

Passaram vinte e um anos,

E podem outros vinte um passar,

Que terei para sempre em mim,

Esse teu esperançado olhar,

Esse imenso acreditar,

Num futuro que não te chegou...

 

Vinte e um anos;

Meu eterno amigo.

 

 

 

 

Terra Queimada

 

 

 

Terra queimada;

Dor abrasadora,

Cheiros de nada,

Mágoa destruidora...

 

Terra queimada,

Ao som de um ardor,

Vidas ceifadas,

Desnudado pudor...

 

Terra queimada;

Vazio que sobrou,

Tragédia cantada,

Que na memória ficou...

 

E já não voltam os mortos;

Filhos ou Pais,

Amigos ou amores,

Eternamente perdidos,

Por entre chamas de horrores...

 

Nesta nossa terra queimada,

Descansará um pouco de todos nós,

Num silêncio Lusitano,

Num imenso grito sem voz.

 

 

 

 

 

 

Desconversando...

 

 

 

Não regressa a ausente lágrima;

As histórias e memórias,

Esse pedaço de mim,

Que busco conhecer,

Que desconhecendo,

Temo perder,

Por entre tantas hesitações...

 

Não desiste a alma,

Alma desapegada,

Minha emoção,

Dúvida cravejada,

Neste coração,

Ousada intermitência,

Do ser...

 

Já não reconheço;

O que um dia me pertenceu;

Pois sabendo, desconheço,

O que desconhecendo desvaneceu,

Em mim...

 

Essa parte de mim;

Silenciosamente silenciosa,

Esse pedaço de fim,

Que chegou.

 

 

 

 

Viagem De Uma Vida!

 

 

 

Uma porta fechada;

Tantas outras por abrir,

Um caminho, encruzilhada,

Destino por descobrir,

Vontade determinada,

De viver...

 

Pelos olhos adentro;

Vai irrompendo a curiosidade,

Medos e magoas,

Machucada felicidade,

Estradas esburacadas,

Denominada idade...

 

Sempre o tempo a correr;

E tantas as portas que ficaram para trás;

Memórias por esquecer,

Caras meio nubladas,

Dos que perdemos...

 

Tantas as portas;

Tantos os caminhos,

Na tamanha viagem de uma vida.

 

 

Vale Encantado...

 

 

 

Um vale encantado;

Cheio de luzes e cores,

Querer disfarçado,

Por entre as dores,

Num céu pincelado,

De desgostos e amores...

 

Oiço os sons do silencio;

Ruídos de ilusão,

Num distante lugar,

Onde mora a emoção,

O secreto olhar,

Deste triste coração...

 

E segredando ao vento;

A ausente companhia,

O presente tormento,

A entrelaçada nostalgia...

 

Num vale encantado;

Onde verdadeiramente,

Aquele menino,

Torna a ser feliz.