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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Aventurada Desventura...

 

 

 

Solitária vontade;

Impregnada ventania,

Desesperante saudade,

Das canções que um dia,

Ousaram tocar...

 

Destemperado querer;

Quisera o tempo saber,

Sabendo o leve bater,

Deste destinado viver,

Tão meu...

 

Desventurada aventura;

Olhar pejado de ternura,

Desembarcada candura,

Entrelaçada loucura,

Que nos abraça...

 

Desalinhada escrita,

De uma lágrima descrita,

Descrevendo a inaudita,

Viagem...

 

Viajando;

Por entre  as palavras,

Da solidão.

 

 

Adeus...

 

 

 

Já não mora em mim;

O que anteriormente morava,

Já não chora em mim,

O que pensava chorar,

Já não grita em mim,

A dor que antigamente gritava,

Já não recorda em mim,

Aquilo que outrora recordava,

Já não sorri em mim,

A parte que um dia sorria...

 

Mas passou;

Levemente,

Adormecendo,

Dormente,

Entorpecendo,

Torpente,

Aquele imenso,

Sentimento...

 

E assim;

Se um dia se recordar,

O inevitável findar,

De tamanho amar...

 

Se descreverá;

Numa singela poesia,

Que desapareceu,

Essa eterna alegria,

De um amor...

 

Um infinito olhar;

Que se tornou finito,

Na infinitude,

Plena,

De um doloroso adeus!

 

 

 

Pedaço Despedaçado...

 

 

 

Libertem-me das amarras;

Soltem-me destes gritos que me perseguem,

Arranquem os grilhões que me aprisionam,

Apaguem as imagens que me atormentam,

Tirem dentro de mim os olhares despedaçados,

Os pedaços de gente esventrados,

As almas desalmadas,

Que enfim se encontravam perdidas,

Naquelas estradas,

Reféns do seu destino...

 

Pedaços de gente;

Despedaçados...

 

Despedaçados;

Pedaços de gente...

 

Caminhei sem parar;

Olvidei sem olvidar,

Ousei continuar,

Deixando para trás,

O meu coração...

 

Viajando no meio da poeira;

Da cinzenta tristeza tão minha,

Vendo mortos na fogueira,

Num fogo interminável...

 

Fugi desse terror;

Mas aprisionado a cada um,

Daqueles que comigo se cruzaram,

Ali ficou também,

Um pedaço despedaçado,

De mim.

 

 

 

Deserto

 

 

 

A areia do deserto;

Vai guardando as angustias,

Vai passando o tempo incerto,

Incertas dúvidas,

Adormecidas...

 

O silêncio do deserto;

Ruidoso vazio,

Vai escondendo os segredos,

Num imenso rio,

De areia...

 

A solidão do deserto;

Abraçando a alma viajante,

Vai disfarçando a dolorosa,

Caminhada errante,

Que nos invade...

 

A beleza do deserto;

Na sua gigantesca imensidão,

Contrasta imensamente,

Com o bater de um coração,

Que ali se perde,

Num reencontro,

Com as estrelas do destino...

 

E sozinho;

Contemplando esse deserto,

Só meu...

 

Amarro o tempo,

Ao pensamento,

A vontade,

À saudade,

A crença,

À esperança...

 

Naquele deserto;

Só meu...

 

 

 

 

Mil Vezes...

 

 

 

Morreria por ti;

E mil vezes morreria,

Lutaria por ti,

E mil vezes lutaria,

Sangraria por ti,

E mil vezes sangraria,

Tudo sacrificaria;

Tudo,

Por ti...

 

Mas enfim;

O dia se transformou,

Em noite se tornou,

O sol gelou,

E o olhar findou...

 

E apenas sobrou,

Essa destemperada indiferença,

Uma singela parecença,

Do que um dia,

Fomos.

 

 

 

Quando...

 

 

 

Quando se silencia;

O inimaginável,

Quando se questiona,

O inquestionável,

Quando se termina,

O interminável,

Se quebra,

O inquebrável,

Se perde,

O inexpugnável,

Desejado destino...

 

Quando o quadro perde a cor;

O céu o colorido,

Quando da alma foge esse amor,

Sobrando o coração ferido...

 

Quando...

 

 

 

Irrequieta Ilusão...

 

 

 

As crianças que brincam na praça;

São o eu no antigamente,

São um espelho de graça,

Reflectindo exactamente,

Minhas lembranças...

 

Aquelas pequenas vozes;

Entrelaçadas em correria,

Atrás de uma bola,

Num pedaço de magia,

Constante rebuliço,

Irrequieta alegria,

Da alma...

 

Aquela imensa agitação;

Desejo de viver intensamente,

Acelerando o coração,

Expressando loucamente,

A valiosa ilusão,

De que será eternamente...

 

E em cada rosto;

A cada meu olhar,

Vislumbro naquela praça,

Pedaços de mim,

Que certamente continuarão,

A esvoaçar por entre os ventos,

Da memória.

 

 

Ardor Meu...

 

 

 

Pobre poesia;

Esconderijo de uma alma,

Mágoa vazia,

Lágrima perdida,

Escapando num dia,

Distante ferida...

 

Pobre poeta;

Disfarçando a dor,

O livre cometa,

Outrora ardor,

Todavia perdido,

Em tamanho amor...

 

Pobre daqueles;

Que acreditam em vós,

Destino malfadado,

De sofrimento atroz,

Coração despedaçado,

Sem sonho,

Sem voz...

 

Pobre,

Tão pobre,

Ardor meu.