Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Caneca de Letras

Caneca de Letras

Alma Perdida...

 

 

 

A poética forma do sentir;

De discretamente sorrir,

Intensamente fingir,

O que sentindo existir,

Por vezes magoa...

 

A prosa desembargada;

Como escrevendo esvaziada,

A alma amargada,

Por essa solitária cruzada,

Desencontrada...

 

Palavras soltas;

Pensamentos esquecidos,

Memórias ocas,

Coração ferido...

 

E assim continua;

A escrever a mão envelhecida,

O amor fugido,

Da alma perdida...

 

Da alma;

Eternamente perdida!

 

 

 

 

 

Naquele Tempo...

 

 

 

Sentado no chão daquela casa,

Recordando esse tempo distante,

A imagem deslumbrante,

De um amor hesitante,

Que hesitando,

Findou...

 

Sentado naquele espaço,

Onde um dia senti sorrir,

Recordando um singelo abraço,

Ou um beijo a fugir...

 

E assim, sentado e entristecido,

Deixando escapar o desgosto,

Sobrevivendo bem ferido,

Ao reencontro com o meu amargurado coração...

 

 

 

 

Dois Corações...

 

 

 

Dois corações;

Num mundo gigante,

Um amor,

Intemporal e distante,

Que ao longe,

Horizonte gritante,

Celebrando num olhar,

A alma maior,

Que nos une...

 

Um amor inexplicável;

Escrito através do tempo,

Em cada letra indecifrável,

Poesia e sentimento,

Só nosso...

 

E tão nosso,

Que nem nós,

O sabemos descrever.

 

 

Poesia!

 

 

 

Toda a poesia;

Tem um pedaço de dor;

Uma certa melancolia,

Uma pitada de amor,

Misturado nessa agonia,

Em forma de ardor,

Completando a harmonia...

 

Um poema soletrado;

Tem de conter uma espécie de enredo;

Um verso cantado,

Celebrando um segredo,

Na alma bem guardado,

Liberto em cada rima...

 

Um poema tem de ter ilusão;

Lágrimas e desilusão,

Trabalhando a imaginação,

Para traduzir a sensação,

Do que se esconde no coração...

 

Um poema é apenas um pedaço de alguém;

Pintado por letras,

Como se fosse uma aguarela,

Retratando o complexo mistério humano.

 

 

 

 

 

Noites...

 

 

 

A noite cintilante;

Vai soltando sábias palavras,

Ouvindo a alma hesitante,

Perdida e angustiada,

Sabendo desesperante,

Que a lágrima desencontrada,

Se tornará na asfixiante,

Amargura...

 

A noite estrelada;

Abraçando a tamanha dor,

Vai segredando a desencantada,

Forma de ardor,

Que permanece aprisionada,

A este intenso pensamento...

 

E tantas noites se passaram;

Tantas que passarão,

Continuando a cintilar,

Essas estrelas,

Que no meu coração permanecerão,

Como o reflexo deste eterno amor.

 

 

 

 

 

 

 

 

Na Favela Onde Eu Vivo!

 

 

 

Na favela onde eu vivo;

Não existe água nem eletricidade,

Impera a lei da bala,

Que atinge a mocidade,

Atirados para uma vala,

Escondida da sociedade,

Que raramente fala,

De nós...

 

Na favela onde eu vivo;

Ninguém consegue viver,

Apenas lá moramos,

Temendo um dia morrer,

Enquanto aguardamos,

Pela mudança...

 

Na favela onde eu vivo;

Já não mora a Dona Esperança,

Que há muito nos deixou...

 

Na favela onde eu vivo...

 

 

Futebol!

 

 

 

Uma bola viajando,

De pé para pé,

E em cada passe namorando,

Essa espécie de fé,

De amor...

 

Uma bola aprisionada à imaginação,

Num desmesurado romantismo,

Palpitando o eterno coração,

Do adepto sofredor...

 

E em cada instante,

Sorrisos e lágrimas,

A cada segundo,

Gritos e silêncios,

A cada momento,

Suspiros e lamentos,

Intermináveis...

 

E volta a bola a rolar,

O sol a brilhar,

A noite a cintilar,

As crianças a sonhar,

Os adultos a gritar,

Sem parar,

Golo...

 

 E continua a bola a rolar;

O jogo a recomeçar,

Eternamente,

Mágico.

 

 

As Rosas Do Meu Quintal!

 

 

 

As roseiras do meu quintal;

Já não brilham como dantes,

Já partiram do roseiral,

Levando os alegres instantes,

Misturados com a intemporal,

Idade viajante...

 

As rosas outrora viçosas;

Murcharam entristecidas,

Aprisionadas à desgostosa,

Sensação perdida,

Da minha juventude...

 

Sobraram as folhas caídas pelo chão;

Como lágrimas escorrendo pelo meu rosto,

Sobraram recordações no coração,

Saudades e desgostos,

Daqueles que um dia partiram...

 

 Restaram no meu quintal;

Estas minhas velhas lembranças,

Guardadas num singelo postal,

Guardando a fugidia esperança...

 

E as rosas vão murchando;

Cada pétala se despedindo,

Vão discretamente tombando,

E desta vida partindo...

 

E como elas;

Também eu,

Vou-me despedindo deste quintal,

Que muitos chamarão,

De vida.

 

 

 

A Estrada Da Vida!

 

 

 

Nascemos sós;

Morremos sós...

 

E nesse entretanto;

Que chamamos de vida,

Buscamos encontrar,

A fórmula perdida,

Para a desejada felicidade...

 

Por vezes chorando,

Outras vezes sorrindo,

Vai a alma caminhando,

Pela mais bela viagem,

Que um dia existiu...

 

Viajando no complexo;

Destino,

De cada um de nós...

 

Pois nascemos sós,

E morremos sós.