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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Luar!

 

 

 

Não fiques triste;

Só porque a tristeza insiste,

Em te mostrar que existe,

Essa dor que não desiste,

De te magoar...

 

Não penses que eternamente;

Essa desilusão que sentes,

Te irá penosamente,

Aprisionar para sempre,

Só porque esse destino não era eterno...

 

Não deixes que a escuridão;

Reaparecida na imensidão,

Deslumbrante ilusão,

Te roube do coração,

A esperança...

 

E de mansinho, devagar;

Com a noite a entrar,

Talvez possas voltar a acreditar,

Que aquele cintilante luar,

Refletido no teu olhar...

 

É o teu futuro a chegar!

 

 

 

 

 

 

Infância!

 

 

 

Resgatei do passado;

Um quadro tão antigo,

Um esboço traçado,

De um tempo perdido...

 

Reencontrei esse pedaço de mim;

No fundo da memória,

Uma espécie de abraço sem fim,

Descrevendo a minha história...

 

Descrevendo o que um dia esqueci;

Alegrias e ternuras,

Momentos que perdi,

Traquinices e aventuras...

 

Pinceladas de amizade;

Carregadas de emoção,

Impregnadas de saudade,

Invadindo o coração...

 

E regressando a esse tempo;

Onde fui criança;

Recordando por um momento;

Esse pedaço de esperança,

Da minha infância.

 

 

 

 

 

 

Muro da Vergonha

 

 

 

Tantos foram os quilómetros que percorri;

Os sonhos que deixei para trás,

Aqueles que perdi,

Perdendo-me sem querer...

 

Tantas as estradas que palmilhei;

As dores que esqueci,

As mágoas que guardarei,

Nesta amargura que vivi...

 

Tanta esperança perdida;

Vontade de ser,

Lágrima ferida,

Medo de morrer...

 

E depois de tamanha ilusão;

De caminhar sem parar,

Encontro este muro de desilusão,

Que me impede de continuar...

 

E aqui morro;

Na sombra deste muro da vergonha.

 

 

Infância Perdida!

 

Um quarto escuro;

Tão escuro como o breu,

Num silêncio, sussurro,

Tão só, tão meu...

 

Uma casa abandonada;

De afetos, atenção,

Nessa infância desamparada,

Despertando essa sensação,

De abandono...

 

Despertando as lágrimas;

Amargurada insensatez,

As insensatas agruras,

Amarrada pequenez...

 

Tormento, desfavor;

Em cada imagem não esquecida,

Apunhalada dor,

Infância perdida...

 

Um quarto escuro;

Tão escuro como a minha alma;

Como os fantasmas que perseguem,

O destino que me sobra.

 

 

 

Interrogações da Alma!

 

Se cada palavra, tua;

Fosse apenas isso,

Uma palavra crua,

Verdade nua,

Da mágoa minha,

Que magoa intensamente...

 

Se cada gesto, teu;

Fosse apenas isso,

Liberto dessa dor,

Que me esmaga sem pudor,

O coração num ardor,

Desassombrado...

 

Se cada olhar, meu;

Fosse apenas isso,

Um olhar desbravado,

Desinteressado,

De soslaio incapaz,

De deixar esse amargurado, 

Amor...

 

Se cada um destes versos;

Fosse apenas isso,

Despido desse sentimento,

Que asfixia,

Em cada momento,

A minha alma...

 

Se em cada linha deste poema;

Eu fosse capaz de me libertar,

E livremente voar,

Pelo destino que nunca consegui encontrar...

 

Se eu conseguisse...

 

 

 

Só...

 

Às vezes perco-me na escuridão;

Insolente vontade,

Disfarçada de solidão,

Encoberta saudade,

De tempos, ilusão,

Maldita verdade...

 

Por vezes perco-me ao entardecer;

Escrevendo sem descrever,

As lágrimas que me esforço por esconder,

Amargurado entristecer,

Que me chega ao entardecer...

 

E escutando discretamente;

Vendo o mundo passar,

Revendo saudosamente,

Cada memória a recordar,

Os momentos agora ausentes,

Desse passado meu...

 

Por vezes perco-me;

E às vezes reencontro-me,

Só!

 

 

Destino!

 

As sombras do outro lado da rua;

Os sombreados que se escondem sem dizer,

Na escuridão, por vezes, crua,

Atormentado enfraquecer,

Por essa mágoa, tua,

Que irrompe ao entardecer...

 

Alma profunda,

Tristeza insistente,

Lágrima vagabunda,

Caindo ausente,

Na ausência moribunda,

Que se sente...

 

E em cada passo iludido;

Abraço desmedido,

Encontro o sombreado irrefletido,

Nesse destino desmentido,

Cruelmente.

 

 

 

Livre!

 

Sou livre;

Posso voar,

Não tenho amarras,

Nada me prende, me segura,

Nada me impede de correr...

 

Sinto-me livre, sem medos;

Posso respirar o mundo inteiro,

Correr riscos, sofrimentos,

Viajar por entre o vento...

 

Livre e liberto;

Só por mim e por mais nada,

Não me importa qual seja o fim,

Desta vida desencantada...

 

Vejo cores e movimentos;

Vejo o sol e a lua,

Sinto os meus sentimentos,

Nesses caminhos, por essas ruas...

 

Sou do mundo, deste planeta;

Sou mais um na solidão,

Nesta vida de cometa,

No meio da multidão...

 

Aproveito cada instante;

Para viver, para sentir,

Nesta terra às vezes distante,

De onde, por vezes, me apetece fugir...

 

Sou livre, livremente;

Procurando observar,

Aproveitando constantemente,

Este eterno viajar...

 

Sendo assim, vivo livre;

Por desejo e vontade,

Livre vivo, livre morro,

Caminhando pela eternidade!

 

 

E Se Eu Fosse, Um Pássaro?

 

Se eu fosse um pássaro;

E livremente pudesse viajar,

Se não temesse abrir as asas,

E num gigantesco salto, voar...

 

E se eu fosse um pássaro;

E me abrissem a gaiola,

Vislumbrando a imensidão,

Que se esconde,

Da minha curiosa alma...

 

E se eu fosse um pássaro;

E tivesse o céu para mim,

Como um espaço sem fim,

Onde pudesse sonhar...

 

E se eu fosse um pássaro;

E não tivesse medo de sobrevoar,

O montanhoso desconhecido,

Não temendo encontrar,

O infinito perdido,

Por entre os recantos, de cada destino...

 

E se eu fosse um pássaro;

Como poderia escrever,

Gritando para o mundo,

Estas palavras a descrever,

O horizonte da minha imaginação...

 

E se eu fosse um pássaro?