Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Caneca de Letras

Caneca de Letras

Viajando Para Lá Da Memória!

 

Oiço ruídos...

Imensos ruídos, barulhos imprecisos sobre memórias que ouso recordar, sem saber que essa ousadia, ousaria me levar, nesta viagem por mim mesmo.

Pessoas e imagens, palavras e situações, afectos e amarguras, tudo misturado numa miragem que insiste em me perseguir.

Onde se encontra a derradeira ilusão, de um jovem menino?

Onde moram os receios e as dúvidas daquela criança, que temia o escuro da noite?

Esta viagem, acompanhada por quem tanto amei, impregnada de ondas e maresia, de temores e aventuras, regressa em cada sonho, a cada lembrança, cheirando a esperança, memorizando as desesperanças só minhas.

As viagens de uma vida, nessa história própria de cada um, em cada um, por cada um...

O que se esconde, por trás de cada mente?

Quantas lágrimas, formam o carácter de cada um de nós?

Questões difíceis, por vezes imprecisas mas que acalentam a alma, indagam o pensamento e aprisionam esse futuro que tarda em chegar...

No olhar de cada estrela, se as estrelas tiverem olhar, se escondem as desilusões e anseios de tantos de nós, se encerram os desígnios, desses destinos solitários.

E assim, por entre as linhas de um desabafo, reescrevo as divagações que me acompanharam na escuridão daquele imenso quarto, que era o meu...

Que saudades desse tempo e daqueles que comigo cumpriram essa viagem, tão nossa.

Saudades das expressões, dos olhares, dos segredos e cumplicidades que se tornaram nessas memórias só minhas...

Que um dia ousaram se libertar, ganhando expressão e moldando essa pessoa em que me tornei.

Tenho saudades de mim e essencialmente de vós, retrato meu...

De meu Pai, o meu eterno herói, de minha Mãe, o meu eterno amor e desse destino que apesar de meu, será sempre parte de vós.

De nós! 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

A Tinta...

 

 

 

Se a tinta da minha caneta;

Tivesse o poder de reencontrar,

Os versos outrora perdidos,

Que ousei imaginar,

Num destino desconhecido,

Que insisto em procurar...

 

Se a tinta desta minha caneta;

Fosse mágica e intemporal,

Se conseguisse por um instante,

Como um intenso vendaval,

Reescrever,

Esta rima final...

 

Mas a tinta da minha caneta;

Está aprisionada ao meu destino,

A esse secreto caminho,

De dor e desatino,

Poético.

 

 

Vozes!

 

 

 

Oiço ao longe;

As vozes que um dia me pertenceram,

Oiço distantes,

As vozes dos que pereceram,

Oiço longinquamente,

As vozes que se perderam,

Oiço eternamente,

As vozes que me escaparam,

Oiço por entre o vento,

As vozes...

 

As imensas vozes;

Que um dia julguei ouvir...

 

Que um dia;

Julguei eternas.

 

 

 

 

As Rosas Do Meu Quintal!

 

 

 

As roseiras do meu quintal;

Já não brilham como dantes,

Já partiram do roseiral,

Levando os alegres instantes,

Misturados com a intemporal,

Idade viajante...

 

As rosas outrora viçosas;

Murcharam entristecidas,

Aprisionadas à desgostosa,

Sensação perdida,

Da minha juventude...

 

Sobraram as folhas caídas pelo chão;

Como lágrimas escorrendo pelo meu rosto,

Sobraram recordações no coração,

Saudades e desgostos,

Daqueles que um dia partiram...

 

 Restaram no meu quintal;

Estas minhas velhas lembranças,

Guardadas num singelo postal,

Guardando a fugidia esperança...

 

E as rosas vão murchando;

Cada pétala se despedindo,

Vão discretamente tombando,

E desta vida partindo...

 

E como elas;

Também eu,

Vou-me despedindo deste quintal,

Que muitos chamarão,

De vida.

 

 

 

A Estrada Da Vida!

 

 

 

Nascemos sós;

Morremos sós...

 

E nesse entretanto;

Que chamamos de vida,

Buscamos encontrar,

A fórmula perdida,

Para a desejada felicidade...

 

Por vezes chorando,

Outras vezes sorrindo,

Vai a alma caminhando,

Pela mais bela viagem,

Que um dia existiu...

 

Viajando no complexo;

Destino,

De cada um de nós...

 

Pois nascemos sós,

E morremos sós.

 

 

 

 

Vai Desvanecendo...

 

 

 

Vai apagando a memória;

Os sorrisos de outrora,

Vai desvanecendo esta história,

Por entre a dor de agora...

 

Vai toldando a emoção;

Impregnada de ardor,

Vai deixando o coração,

Aquele eterno amor...

 

Vai doendo sem parar;

Sem saber como dizer,

O que um dia foi amar,

E se tornou desvanecer...

 

E assim devagarinho;

Suavemente arrancando,

Esse eterno carinho,

Que para sempre irei guardando...

 

Bem escondido;

No ausente pedaço,

Daquele amor maior.

 

 

O Coração Abandonado De Um Poeta...

 

 

 

As águas deste rio;

Tranquilas e adormecidas,

Acompanham os meus pensamentos,

Juntando as palavras perdidas,

Que foram minhas por um momento...

 

As águas deste rio;

Soletram a minha dor,

Recuperando as lágrimas,

Que nesta ânsia sem pudor,

Por vezes me invadem...

 

As águas deste rio;

Vão fingindo ainda sorrir,

Para num singelo arrepio,

Tocarem a minha triste alma...

 

 E sentindo sem parar;

Caminhando o pensamento por essas livres águas,

Vai continuando a sonhar,

O coração abandonado,

De um poeta.

 

 

 

 

 

O Meu Mundo É A Preto E Branco!

 

 

 

Já a vida me escapou;

Se perdeu nos meu pensamentos,

O destino que me falhou,

Por entre os caminhos deste tormento...

 

Sinto a imensa solidão;

Aprisionada na minha mente,

O vazio no coração,

E no meu olhar descrente...

 

Vejo tudo a preto e branco;

Despedi-me de todas as cores,

Isolei-me neste pranto,

De agruras e dores...

 

E sonhando com a tristeza;

Com a minha triste amargura,

Vou sentindo a incerteza,

Que me invade na loucura...

 

E sobrando-me a infelicidade;

Como forma de viver,

É imensa a saudade,

De ter vontade de querer...

 

Ou de pelo menos ver o mundo;

Com todas as suas cores.

 

 

As Noites E As Minhas Eternas Saudades!

 

Muitas vezes me aproximo da janela, à noite, esperando reconhecer nas estrelas que brilham intensamente, um rosto conhecido por entre o desconhecido enigma deste destino que nos envolve...

Tantas e tantas vezes procuro naquela escuridão impregnada de cristais cintilantes, um pedaço de mim mesmo, desse passado e das pessoas que já partindo, eternamente fazem parte da minha alma.

Procuro assim atenuar as saudades que insistem em sobreviver, acorrem vezes sem conta à minha mente para recordar a falta que ainda sinto, de cada um...

Por vezes nesse constante reencontro com os momentos que já fugiram, relembro sorrisos e lágrimas, resgato tristezas e alegrias, tentando preencher um vazio que sempre acaba por reaparecer.

Nessas noites, tendo a lua como testemunha, converso com o misterioso desconhecido que insisto em crer será repleto de reencontros ansiados...

E se assim não for?

As dúvidas e anseios próprios desta imensa incerteza que por vezes me invade, fazendo-me olhar novamente para aquelas estrelas, para aquele brilho e através dele voltar a perder-me na crença de que me ouçam.

A noite permanece, as estrelas ali continuam e eu volto a esconder as intensas saudades guardadas em mim, daqueles que para sempre meus, infelizmente, partiram para longe.

Mais uma noite, nesta eternidade pejada de enigmas...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

A efémera intemporalidade!

 

 

 

Quantas vezes imaginei,

Que era eterno o que sentia,

Quantas vezes me enganei,

Sem imaginar que doeria

 

Acreditando na eternidade,

Nessa efémera forma de querer,

Vai chorando essa saudade,

De um tempo a esquecer

 

Sem que possa descrever,

Como  desvaneceu o sentimento,

Essa estranha forma de morrer,

No bater do sofrimento

 

E depois de muitas linhas,

De tantas palavras prometidas,

Escapou se o tamanho amor,

Por entre as feridas,

Da minha triste alma.