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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Carta Do Adeus!

 

 

 

É agridoce chorar por ti;

E ainda mais saber que te perdi,

Que se escapou e eu senti,

Que chegara a hora desse adeus...

 

É salgado o sabor das minhas lágrimas;

Como é salgado este destino que me rodeia,

É certamente destemperado,

Tal como esta dor que me cerceia...

 

Apenas me alegra saber;

Que até ao dia em que morrer,

Saberás sem dizer,

Que nunca te faltei.

 

 

 

Às Vezes Volto A Sorrir!

 

Por vezes ao anoitecer;

Ainda ouso navegar,

Deixando-me perder,

Nesses pensamentos que regressam sem parar...

 

Por vezes ainda oiço os teus passos;

Sabendo que já partiram,

Ainda vejo a espaços,

Esses abraços que me fugiram...

 

Por vezes ainda creio;

Mesmo sabendo que não é verdade,

Ainda receio,

Não sentir a tua saudade...

 

Por vezes e só por vezes;

Ainda regresso àquele berço,

Onde insistias em me embalar,

E em todas essas vezes,

Volto a sorrir.

 

Questões Eternas...

 

 

 

Se o tempo é conselheiro,

E tantas vidas se passaram,

Questiono o mundo inteiro,

Sobre essas dúvidas que me sobraram...

 

Se o vento é viajante,

E traz com ele a sabedoria,

Questiono a angustiante,

Ausência de melodia...

 

Porque nesses intervalos de ti,

Nesse distante interregno,

Sei que dói esse amor,

Que apesar de eterno,

Não me basta...

 

E por entre o viajar;

Ou constante navegar,

Nesse crispado mar,

Questiono esse lado lunar,

Da minha esperança...

 

Será a eternidade, suficiente para tamanho amor?

 

 

 

 

 

 

 

Um Sonho De Criança!

 

 

 

Era uma vez;

O sonho de uma criança,

Sempre preparada para voar,

Levando nos olhos a esperança,

De um dia o concretizar...

 

E foi crescendo a sonhar,

Com essa constante ilusão,

Por entre o eterno viajar,

No cockpit da sua imaginação...

 

E um dia ao acordar;

Já não era um menino,

E estava a realizar,

O sonho do seu destino...

 

E assim nesta esplanada;

Vive concretizada,

A ilusão imaginada,

Do que um dia,

Aquela criança sonhou.

 

 

 

 

A Estranha Beleza De Amar!

 

 

 

Estranhas as linhas da tua mão;

Que se cruzam para além do tempo,

Com o bater deste meu coração,

Inebriante sentimento...

 

Estranha vontade de voar;

Por entre a imensidão deste mundo,

Descobrindo sem parar,

Toda a beleza num segundo...

 

Estranha querença imperfeita;

Imperfeição verdadeira,

Uma lágrima desfeita,

Aguardando a inteira,

Esperança de viver...

 

Estranha incerteza;

Na gigantesca certeza,

Do meu amor,

Por ti!

 

 

 

Estranha Maneira De Amar!

 

Estranha maneira de sentir;

De correr e fugir,

De não enfrentar e partir,

Esse receio de ferir...

 

Temido ardor;

Que invade num torpor,

Num instante, temor,

Arrebata, arrebatador,

O nosso eterno amor...

 

Eternamente aconchegante;

Ilusão tão distante,

Do que um dia hesitante,

Ficou para sempre arrepiante...

 

Sem saber como escrever;

Deixei o tempo descrever,

Nos céus a chover,

As lágrimas a escorrer,

Pelo meu triste rosto...

 

E talvez um dia;

A tristeza vire alegria,

A solidão,

Como que por magia,

Se transforme novamente,

Nessa estranha maneira,

De amar...

A Viagem De Uma Vida!

 

 

 

Tantas as estrelas no céu;

No infindável mergulho da minha vida,

Nas histórias guardadas em mim,

Na memória esquecida,

Que acompanha sem fim,

A minha alma...

 

Tantas as lágrimas por contar;

As alegrias e as aventuras,

Os momentos a recordar,

De agruras ou ternuras,

Aprisionadas nesse passado...

 

Tantas as pessoas que perdi;

Neste caminho para a velhice,

Os que lembrando, esqueci,

Desde a minha meninice....

 

E neste trajeto de ilusão;

Por entre o amor e a desilusão,

Esperando chegar a esta conclusão,

Amarrada ao meu coração...

 

De que valeu a pena;

Esta viagem.

 

 

Adeus, Meu Amor!

 

 

 

Nada é maior do que aquilo que sinto;

Nada vale mais do que esta dor,

Nada é sentido quando minto,

Acerca deste meu imenso amor...

 

 Nada me fere mais do que este magoar;

Este malfadado desencontro,

Nada me irá custar,

Como o fim desse reencontro...

 

Nada valerá a pena;

Nessa angústia sem fim,

Do saber que apenas,

Nos sobrará este fim...

 

Uma despedida;

Sem palavras,

Desnudada,

Num intemporal adeus!

 

 

Luar!

 

 

 

Não fiques triste;

Só porque a tristeza insiste,

Em te mostrar que existe,

Essa dor que não desiste,

De te magoar...

 

Não penses que eternamente;

Essa desilusão que sentes,

Te irá penosamente,

Aprisionar para sempre,

Só porque esse destino não era eterno...

 

Não deixes que a escuridão;

Reaparecida na imensidão,

Deslumbrante ilusão,

Te roube do coração,

A esperança...

 

E de mansinho, devagar;

Com a noite a entrar,

Talvez possas voltar a acreditar,

Que aquele cintilante luar,

Refletido no teu olhar...

 

É o teu futuro a chegar!

 

 

 

 

 

 

Infância!

 

 

 

Resgatei do passado;

Um quadro tão antigo,

Um esboço traçado,

De um tempo perdido...

 

Reencontrei esse pedaço de mim;

No fundo da memória,

Uma espécie de abraço sem fim,

Descrevendo a minha história...

 

Descrevendo o que um dia esqueci;

Alegrias e ternuras,

Momentos que perdi,

Traquinices e aventuras...

 

Pinceladas de amizade;

Carregadas de emoção,

Impregnadas de saudade,

Invadindo o coração...

 

E regressando a esse tempo;

Onde fui criança;

Recordando por um momento;

Esse pedaço de esperança,

Da minha infância.