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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Às Vezes Volto A Sorrir!

 

Por vezes ao anoitecer;

Ainda ouso navegar,

Deixando-me perder,

Nesses pensamentos que regressam sem parar...

 

Por vezes ainda oiço os teus passos;

Sabendo que já partiram,

Ainda vejo a espaços,

Esses abraços que me fugiram...

 

Por vezes ainda creio;

Mesmo sabendo que não é verdade,

Ainda receio,

Não sentir a tua saudade...

 

Por vezes e só por vezes;

Ainda regresso àquele berço,

Onde insistias em me embalar,

E em todas essas vezes,

Volto a sorrir.

 

Nove Andares De Um Milagre!

 

São estes os momentos em que reencontro a minha crença interior, a mesma, que por vezes ouso questionar...

Este terrível desastre que aconteceu em Londres, naquele prédio transformado em inferno, mar de chamas que insistiu em devastar vidas e mais vidas, que ali em suas casas buscavam apenas mais um momento de conforto entre os seus, fez me suster a respiração e voltar a suster.

Como é possível?

Nestes momentos olho para o céu e pergunto-me vezes sem conta:

Como foi possível?

E depois ouve-se uma história, escuta-se o espanto transformado em realidade daquela Mãe triste e desesperada, que atira o seu filho de um nono andar, embrulhado em lençóis na esperança de pelo menos esse pedaço de si, poder sobreviver...

Descendo pelos céus, através da gravidade descontrolada, ali vem uma criança tal e qual como um pássaro sem asas, descendo por entre a estrada do seu destino, amparada pelo amor de sua mãe e certamente...

Pela intervenção divina.

É aqui, nestes momentos que a minha alma regressa ao que intrinsecamente acredita, àquele reencontro com a fé.

E num milagre sem explicação, um homem, nove andares depois, segura com as suas mãos aquela criança que lhe fora entregue pelo desespero daquela mãe, viajando através do amparo de Deus...

Pois só Deus poderá garantir que tal viagem corra bem.

Assim, pensando naquela Mãe, imaginando aquela criança, recordando esta história, escolho sempre o milagre pois existe sempre nele incluído, uma espécie de esperança em que vale a pena crer.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

João Castelo Branco: O Mágico!

 

Por momentos durante este dia, achei que iria ser complicado escrever-vos no Caneca, pois para grande estupefação da minha parte, o computador não iniciava...

Não queria acreditar, tanta coisa para escrever, tanto aqui guardado e eu sem conseguir que ele desse sequer um sinal.

Foi assim que parti em busca de auxilio na loja onde havia comprado o dito computador, esperançado em encontrar alguém que percebesse um pouco mais do que eu, sobre estes assuntos informáticos...

Enganei-me redondamente, encontrei um jovem tão ignorante para estes assuntos como este leigo que aqui vos escreve.

Não tem arranjo meu amigo, só na marca e demora pelo menos um mês! Disse-me o imbecil, deixando-me perplexo e ponderando mesmo que o melhor seria se calhar, comprar um novo computador...

Deixei a loja para trás e irritado comecei a pensar na vida, nas soluções que poderia encontrar para resolver esta questão, já convicto de que provavelmente teria de me despedir deste meu HP.

Isto quando me recordo da PC Clinic das Amoreiras, uma loja onde nunca havia ido mas que sabia lá existir e em boa hora o sabia.

Ao chegar, relatei logo tudo o que suponha ter acontecido a esta minha máquina de escrever dos tempos modernos, tentando ajudar a definir o diagnóstico do que acontecera ao meu computador mas num instante, talvez fração de segundos, com um simples apertar de um botão, um singelo toque, o meu computador ressuscitava...

O meu espanto e admiração para quem sabe o que faz e melhor...

Como o faz!

A toda a equipa da PC Clinic das Amoreiras o meu imenso obrigado, especialmente ao João Castelo Branco pela mágica recuperação deste meu computador.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Triste Alma A Tua!

 

 

 

Se odiar;

Te ocupa um lugar,

Nesse viver, desesperar,

Pelo eterno desencontrar,

Dessas fantasias por realizar,

Sem ninguém para responsabilizar...

 

Se em cada singelo lugar;

Encontras no espelho esse luar,

Que te indica o definhar,

Onde escolheste pernoitar....

 

Se assim te irás ocupar;

Eternamente a enfadar,

Ou simplesmente desperdiçar,

O tempo que te irá restar,

Para da vida desfrutar....

 

Se nada mais te restar;

Então...

 

Que triste alma;

A tua.

 

 

 

 

Pelo Mar Adentro!

 

 

 

Pelo mar adentro;

Com o bolso cheio de lágrimas,

O coração salgado,

Impregnado de solidão...

 

Pelo mar adentro;

Com a alma entristecida;

Buscando em cada onda,

A ilusão então perdida...

 

Pelo mar adentro;

Esvaziada imaginação,

Dos rostos desaparecidos,

No meio da minha desilusão...

 

Pelo mar adentro;

Decidido e sem parar,

Recordando e esquecendo,

A tristeza que irá ficar...

 

Pelo mar adentro;

E sem olhar para trás.

 

 

Os Corruptos Nunca Se Lembram!

 

O Futebol Português continua envolvido em escândalos e artimanhas que deixam a dúvida constante, na mente de cada adepto, que vendo em campo algo diferente daquilo que os resultados demonstram, continua desconfiando...

O Apito Dourado veio na verdade, evidenciar um conjunto de esquemas de viciação do jogo, que apesar de não terem sido caucionados pela justiça, criaram no cidadão comum essa ideia inevitável de corrupção.

O que me espanta são as virgens ofendidas de então, transformadas agora por emails em corruptos fanfarrões, descrevendo os esquemas que agora comandam a bola dentro do relvado.

A fruta foi substituída pelos padres e os aconselhamentos matrimoniais pelas missas encarnadas, no entanto, tudo se mantém igual no Futebol Português e na forma como é controlada a sua arbitragem...

O Benfica, Tetracampeão, vê através das conversas entre o seu Diretor da BTV e o ex-árbitro Adão Mendes, escapar a legitimidade desses mesmos títulos, pois é impossível que não sobreviva a dúvida por entre as mentes dos que não se negam a raciocinar, sobre o estranho caso que surgiu nos últimos tempos.

Assim sobra aguardar o que as instâncias judiciais dirão sobre estes emails, impregnados de canalhice mas mesmo que os absolvam, tal e qual como no Apito Dourado, ninguém lhes retirará este pedaço de pecado original...

O pecado da descredibilização do Futebol Português.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Questões Eternas...

 

 

 

Se o tempo é conselheiro,

E tantas vidas se passaram,

Questiono o mundo inteiro,

Sobre essas dúvidas que me sobraram...

 

Se o vento é viajante,

E traz com ele a sabedoria,

Questiono a angustiante,

Ausência de melodia...

 

Porque nesses intervalos de ti,

Nesse distante interregno,

Sei que dói esse amor,

Que apesar de eterno,

Não me basta...

 

E por entre o viajar;

Ou constante navegar,

Nesse crispado mar,

Questiono esse lado lunar,

Da minha esperança...

 

Será a eternidade, suficiente para tamanho amor?

 

 

 

 

 

 

 

Um Sonho De Criança!

 

 

 

Era uma vez;

O sonho de uma criança,

Sempre preparada para voar,

Levando nos olhos a esperança,

De um dia o concretizar...

 

E foi crescendo a sonhar,

Com essa constante ilusão,

Por entre o eterno viajar,

No cockpit da sua imaginação...

 

E um dia ao acordar;

Já não era um menino,

E estava a realizar,

O sonho do seu destino...

 

E assim nesta esplanada;

Vive concretizada,

A ilusão imaginada,

Do que um dia,

Aquela criança sonhou.

 

 

 

 

Como Posso?

 

 

 

Como posso amar o impossível;

Esse amor que não me quer,

Querendo, se torna invisível,

Desejando, malmequer,

Sentindo o indiscutível,

Bem querer...

 

Como posso continuar a amar;

A sentir esse pulsar,

Querendo gritar,

O aprisionado desejar,

Da minha alma...

 

Como posso insistir;

Num singelo sentimento,

Maior do que o sentir,

Do que o mar ou o vento,

Do que o ardor a ferir,

Esse meu amargurado sofrimento...

 

Como posso?