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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Não Faz Sentido

 

 

 

Não faz sentido;

O sentido de fazer,

O fazer sentido,

Sem sentindo desfazer...

 

Não é sentido;

O sentido sentimento,

Sentido consentimento,

Para sentindo o vento,

Deixar o vento sentir...

 

Nada faz sentido;

Nem tem de fazer,

Porque apenas sentindo o tempo,

Poderá o tempo sentir,

O quão errado,

Estava o meu coração...

 

Pois continua a não fazer sentido...

 

 

Os Fogos, O País E As Gentes...

 

Poderemos continuar a assistir à destruição de aldeias, vidas, sonhos?

Ano após ano continuamos a ver, in loco, nas televisões deste nosso país, dramas e agruras, mortos e vivos, alguns que escapando das chamas desses infernos de verão, morrem também, juntamente com aqueles que seus deixam de ali estar presentes.

Noticias e parangonas, comentários e discussões, primeiras páginas e aberturas de telejornais, tudo se repete de ano para ano, de década para década, continuando a não fazer sentido, se é que alguma desgraça desta dimensão, pudesse fazer...

E o que muda?

O que se faz para que não se repita?

Quem assume as culpas?

Nada!

Nada!

Ninguém!

Esta dor explanada em cada imagem, em cada lágrima vertida no meio de tamanho ardor, por cada palavra soltada de revolta desses infelizes escolhidos pelo destino para viverem tal amargura, se corroí a alma deste País, se queima a crença num futuro melhor.

Como explicar a alguém que perdeu um filho, as falhas do Siresp?

Ou explicar a alguém que viu o trabalho de uma vida ruir, que o Estado não conseguiu chegar a tempo para proteger os seus bens, os mesmos que são pagos através de impostos chorudos...

Como explicar?

E os políticos repetem-se, insistem no mediatismo medíocre da demissão, mudando os Ministros, rodando os Partidos, mantendo-se apenas a demagogia de uns e a hipocrisia de outros.

E o que esperam as gentes?

Coisas simples...

Que não morram os seus filhos numa qualquer estrada, que não lhes ardam as casas, que não lhes fustiguem os animais, que não lhes cortem os sonhos, por entre esse intrínseco direito de se sentir seguro.

Fogos sempre existirão, tragédias sempre acompanharão a existência humana, nessa condição de mortalidade que sempre estará marcada em nós...

No entanto, talvez seja a hora, de fazer diferente e de o fazer sem negociatas pelo meio.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

O Estranho Caso De André Ventura...

 

André ventura é um homem dos mil ofícios, comenta na televisão casos criminais, processos judiciais, futebolísticos e agora tornou-se a cara política do PSD/CDS, na campanha autárquica à Câmara Municipal de Loures...

Tudo isto e mais alguma coisa sempre assente numa verdade coerente:

A sua ignorante demagogia.

Trata assuntos leves com hipocrisia e populismo, a mesma premissa, que usa para assuntos sérios ou graves, sempre alicerçado numa gigantesca ignorância muito característica deste tipo de personalidades.

O facto de André Ventura ser apenas isto mesmo, não é por si relevante, nem mesmo o facto de ser comentador da CMTV, tendo em conta os critérios " jornalísticos " daquele canal, no entanto, o mesmo não se poderá dizer do facto, de ser este o escolhido pela coligação PSD/CDS nestas eleições Autárquicas...

O que se terá passado com os Partidos da Direita Portuguesa para não apenas um, mas os dois, terem decidido apoiar uma personagem destas?

Citando Francisco Mendes da Silva:

" Não há nada que André Ventura diga, que eu não considere profundamente errado, ligeiro, fruto da ignorância e de um populismo gratuito ou eleitoralista."

Não poderia estar mais de acordo, meu caro Francisco...

O receio de todos aqueles que representam uma certa direita em Portugal, Conservadores, Sociais Democratas, Liberais ou Democratas Cristãos é a colagem deste tipo de gente aos Partidos que supostamente nos representam e que cada vez mais, se encontram minados por uma espécie de Trumpistas acéfalos.

Por todas estas razões, tenho uma secreta esperança, que estas eleições e os seus resultados possa trazer uma imensa mudança na Direita Portuguesa, nas suas escolhas e na busca pelo mérito dos nossos representantes, que há muito deixou de ser critério para a escolha dos candidatos...

Pois se existisse esse critério, essa procura pela qualidade, não estaríamos a discutir este estranho caso de André Ventura.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Os Pensamentos São Livres De Voar!

 

O céu carregado de nuvens, cinzento, carregando com ele os sentimentos aprisionados ao olhar entristecido, de uma nova manhã, um novo momento, outrora ansiado, até desejado...

O céu escondido, envergonhado, entrelaçando nessa escuridão desesperante a mesma amargura que o pensamento interior, revelando sem querer, no sorriso perdido, na esperança despedaçada, desesperançada.

As nuvens continuam a correr, lentamente, prolongando a timidez solar, encobrindo a luz que se esperava chegar, que se ansiava vislumbrar, em busca de uma ausente vontade...

Um quadro inacabado, pincelado sem cor, esborratado sem querença, amarrado a esse desespero que se tornará em hábito, normalidade.

E assim continua a correr a viagem de uma vida, ou uma vida viajante, percorrendo sem dizer, os degraus que nos separam da eternidade...

Será que um dia as letras que leio, as que oiço escrever, as que respirando suspiram, as que soletradas emergem, se erguerão aos céus e darão cor a esta penumbra que insiste em cobrir o sol?

Será ou não?

As dúvidas e ansiedades esboçadas em cada linha, pintadas em cada palavra, marcadamente destemperada, neste desconexo texto...

Complexo pensamento.

Porque os pensamentos são livres de voar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Quantas vezes...

 

 

 

Quantas letras se escondem num coração,

Quantos sonhos se enraízam na alma,

Quantas estrelas dormirão,

Enquanto o mundo avança...

 

Quantas lágrimas já chorei,

Sem dizer o quanto dói,

Quantas vezes desesperei,

Desesperadamente....

 

Quantas e quantas vezes,

E quantas mais chegarão,

Para que o meu coração,

Se canse de sofrer...

 

Quantas vezes?

 

 

Mar Salgado...

 

 

 

No fundo do mar;

Encontrei uma estrela,

Aprisionada ao navegar,

Daquelas ondas...

 

Naquele mar;

Cristalino,

Cheio de histórias a flutuar,

Memórias e destinos,

Que se escondem ao luar...

 

E misturado com aquele mar salgado;

Num abraço entrelaçado,

Sinto o ardor desencantado,

De um distante passado,

Eternamente guardado...

 

Em mim!

 

 

 

 

 

 

Memórias do Areeiro!

 

Muitas vezes estou sentado na praça do Areeiro, na Pastelaria Cinderela, contemplando esse mundo inexistente, de um tempo onde fui feliz...

Muitas vezes estou ali pensando, em tempos que não regressam, em amizades que fugiram, em momentos que guardarei intemporalmente.

Como escrever sobre pessoas que marcaram essa imberbe vida, que representaram tanto, sentindo cada instante hoje fugaz...

Ainda parece que aqui lancho todos os dias, que a cada mês a minha querida mãe aqui vem pagar os suspiros e dedos de dama que me deleitavam.

Como passaram rapidamente trinta anos, como se escaparam sem dizer, por entre, os dias encobertos da minha imaginação...

De lá para cá ganhei amigos para a vida, desilusões eternas, buscas infindáveis que tinha como certas e certezas tão incongruentes que era incapaz de decifrar.

Mas ali se mantêm as janelas, as pedras da calçada, caladas, serenas, segredando as aventuras e agruras pelas quais passei...

Ainda guardo dentro de mim sorrisos daqueles que desapareceram, lágrimas sentidas por aqueles que na minha mente ainda moram, memorias intemporais que não desejo apagar.

Ali ainda moram professores, colegas, amigos...

Ali ainda te vejo sorrir, meu caro Luís, contemplando este amigo que sempre te foi leal, pois essa partilha é o que nos tornou absolutamente ligados, sem exceção, sem limite .

Ali estão guardadas as memórias da minha meninice...

E com elas grande parte de mim mesmo!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Cristiano Ronaldo: Um Estupor Moral?

 

Este é um assunto sobre o qual não me apetecia escrever, ou seja, para ser mais honesto queria evitar falar sobre ele...

Por variadíssimas razões, sendo a principal, a minha verdadeira admiração por esse filho da cantera leonina, de seu nome Cristiano Ronaldo.

Por vezes, tomar decisões que rompem a barreira do tempo, das tradições, do costume, tem o preço exorbitante dessa mesma condição, no entanto, Ronaldo ultrapassou tudo isso e decidiu afrontar sem delongas o patamar da moralidade...

Admito que me faz confusão, que penso ser contra-natura, alguém pagar para ser pai, retirando aos seus filhos o direito de terem uma Mãe, de se sentirem amados por aquela que certamente tem o papel mais importante na vida de todos nós.

Custa-me essa imoralidade, do meu ponto de vista, essa deturpação desse sentido da vida, destruição dos padrões que aceitamos como normais...

No entanto, dia após dia, artigo após artigo, entrevista atrás de entrevista, muitos representaram o meu ponto de vista, muitos até o ultrapassaram, outros até o deturparam.

Depois do fisco, dos bebés, da namorada, do cabelo e provavelmente de tudo o resto, chegámos à entrevista do Dr Gentil Martins ao Expresso, declarando inequivocamente o seu juízo sobre Ronaldo, a sua Mãe e a sua vida...

De forma cruel, destemperada, ofensiva.

Faço de antemão a minha declaração de interesse, tenho por Gentil Martins uma estima inesgotável, admiração inexorável, apreço sem limites e por isso mesmo, não consigo acreditar que tenha proferido tais palavras...

Estupor moral?

Não pode ser exemplo para ninguém?

A senhora sua Mãe não lhe deu educação nenhuma?

Existe um limite para expressarmos a nossa opinião, um limite educacional e essencialmente Humano...

Eu discordo da opção de Cristiano Ronaldo, discordo por principio, por educação, por crença profunda de que esta forma de criar uma família não é a correta mas não sou o dono da verdade, nessa essência Humana que permanece um enigma.

Tenho uma opinião mas não faço um julgamento.

Se de uma coisa tenho a certeza é que o menino Ronaldo será sempre um exemplo, saído de Alcochete para o mundo, de Alvalade para o Olimpo do futebol, onde estarão poucos e certamente nenhum Português...

E por muito que digam que não, o  pormenor de aí não estar mais nenhum Português,  nesse nível que o menino Ronaldo atingiu, cria muito ressabiamento.

Opine-se, discuta-se mas não façamos de Ronaldo, um estupor moral...

E mais do que isso não se diga, que não é exemplo para ninguém.

Pois isso, não aceito.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Existem!

 

 

 

Existem palavras nunca ditas,

E sensações nunca sentidas,

Lágrimas desditas,

Interditas,

Bem trancadas...

 

Existem palavras amarguradas,

Que se escondem no olhar,

Letras desencontradas,

Incapazes de juntar,

Os cacos de um coração...

 

 Existem sem existir,

Pedaços de mim,

Que jamais regressarão,

A esse infinito amor,

Que findou.