Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Caneca de Letras

Caneca de Letras

Despedida

 

 

 

Não existem palavras;

Para descrever;

Essa sensação;

De te perder,

Desligada emoção,

Desse morrer,

Parte deste coração,

Que um dia te pertenceu...

 

Não existem lágrimas;

Para chorar;

Sonhos perdidos,

A recordar,

Momentos esquecidos,

A resgatar...

 

Quando o tempo passar;

E a morte chegar,

Recordar-me-ei de ti;

Como um singelo pôr de sol,

Que passou...

 

Que se findou;

Como o mais belo momento,

Da minha vida.

 

 

Todas as Noites......

 

 

 

Fujo todas noites;

De mim,

Dos pesadelos que me acorrentam,

Das mágoas que regressam sem fim,

Ou das dores que me sufocam,

Indefinidamente...

 

Fujo todas as noites;

Dos medos que me controlam,

Dos fantasmas que me circundam,

Das vozes que gritam,

Sem parar...

 

Fujo todas as noites;

Daquela criança assustada,

Que insiste em chorar,

Daquela voz embargada,

Que não pára de soluçar...

 

Todas as noites fujo;

Do escuro,

Dos medos,

De tudo o que se esconde,

Em mim...

 

E que sendo meu;

Desesperadamente me persegue.

 

 

 

Cartas Do Meu Passado.....

 

Através dos olhares de outros, viajo vezes sem conta por entre as realidades esquecidas, por entre vidas esvaziadas de presença, mas imensas no sentido, naquele sentir eterno.

Descobri cartas e mais cartas de um passado distante, com mais de 100 anos...

Cartas e postais, palavras soltas e apertadas, saudades distantes e lágrimas disfarçadas, em cada uma das suas letras esborratadas, de uma qualquer linha, daquele postal.

Naquelas cartas encontrei a minha Avó, minha Bisavó, amigas e sonhos, desilusões imprecisas, numa mistura de vida, cumprido destino.

Encontrei as saudades imensas de minha Mãe, uma menina que desconhecia que de si viria, aquele que nesse instante lia, palavras e sentimentos explanados em tão antiga carta...

Presente carta...

Voz que tanto amo.

Cartas e mais cartas, impregnadas dos meus, cheias de mim.

Porque o que somos nós senão esse pedaço, demasiados pedaços, daqueles que um dia, ao longo de vários destinos, nos pertenceram...

Serão eternamente parte de nós.

Assim continuo aprisionado, às letras, aos desabafos, à formalidade inerente a tempos que já passaram...

Continuo buscando partes de mim, que ainda não conheço.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

Perdida Inocência...

 

 

 

Vagas de mar;

De espuma e areia,

Ondas a gritar,

Essa força inteira,

Que invade devagar,

A dor derradeira,

Da minha perdida inocência...

 

Imagens escondidas;

Arrepios segredados,

Palavras repetidas,

Em quadros pintados,

Lágrimas esquecidas,

Amores adiados...

 

E secretamente;

Por entre as linhas de uma carta,

Discretamente,

Pelos traços de um quadro,

Insanamente,

Nos coloridos desejos de um sonho...

 

Vou recordando;

A perdida inocência,

Que me fugiu.

 

 

 

Secreta Poesia...

 

 

 

Tenho em mim;

Todas as estrelas do mundo...

 

Mesmo se o mundo tiver fim,

E se o fim tiver fundo,

Se o medo sentir enfim,

Um adeus profundo...

 

Tenho em mim;

Tantas mágoas e vozes,

Desenhos e cores,

Amarras e algozes,

De estranhos amores,

Perdidos cenários da alma...

 

Tenho em mim;

As letras deste poema;

As silabas de um teorema,

Palavras de um dilema,

Que não me chegam...

 

Tenho em mim;

Toda a magia,

De uma secreta poesia.

 

 

Passado...

 

 

 

Será que posso revelar;

O que esconde o meu coração?

 

O que esconde a emoção;

Desbravando inquieto,

O carregado semblante,

Desse receio, entrelaçado,

Esse medo, aprisionado,

Em cada lágrima nossa...

 

Em cada memória;

Guardada em nós,

Pedaço de história,

Cravado na pele,

No sentido destino,

Da alegórica alma...

 

E vai continuando;

A louca melodia,

O deslumbrante pensamento,

Do que foi um dia,

Esse nosso amor.

 

 

Vale Encantado...

 

 

 

Um vale encantado;

Cheio de luzes e cores,

Querer disfarçado,

Por entre as dores,

Num céu pincelado,

De desgostos e amores...

 

Oiço os sons do silencio;

Ruídos de ilusão,

Num distante lugar,

Onde mora a emoção,

O secreto olhar,

Deste triste coração...

 

E segredando ao vento;

A ausente companhia,

O presente tormento,

A entrelaçada nostalgia...

 

Num vale encantado;

Onde verdadeiramente,

Aquele menino,

Torna a ser feliz.

 

 

 

 

Só Se Ama Uma Vez....

 

 

 

Raios de sol;

Ventos de mudança,

Clave de sol,

Sons de esperança,

Cheiros de mentol,

Antiga herança...

 

Memórias temperadas;

De faces e rostos,

Lágrimas salgadas,

Tristezas e desgostos...

 

Beijos e abraços;

Afagos perdidos,

Imagens a espaços,

De tempos antigos...

 

Não volta atrás o tempo;

Não regressa o imenso olhar,

Não me pertencerá o infinito,

Desse eterno amar...

 

Porque só se ama;

Uma vez.

 

 

Composição De Amor

 

 

 

Não sei explicar;

Esse ardor que sinto,

Esta forma de amar,

Amor, não minto...

 

Certa grandeza do ser;

Grandeza que consome,

Vontade de descrever,

Esse olhar que absorve...

 

Olhar escondido;

Vergonha interdita,

Coração ferido,
Numa ilha perdida...

 

E distante;

Bem ao longe,

Miragem hesitante,

De um imenso amor...

 

Tão imenso;

Sentimento gigante,

Desejo intenso,

Eterno e asfixiante...

 

Já não grita a singela vontade;

Já não sobra a antiga surpresa,

Já não resta a ausente saudade,

Incerta, incerteza...

 

E sobra a maldita ilusão;

Uma espécie contraditória de dor,

Indolor contradição,

Do que um dia,

Foi amor.