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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Vai Desvanecendo...

 

 

 

Vai apagando a memória;

Os sorrisos de outrora,

Vai desvanecendo esta história,

Por entre a dor de agora...

 

Vai toldando a emoção;

Impregnada de ardor,

Vai deixando o coração,

Aquele eterno amor...

 

Vai doendo sem parar;

Sem saber como dizer,

O que um dia foi amar,

E se tornou desvanecer...

 

E assim devagarinho;

Suavemente arrancando,

Esse eterno carinho,

Que para sempre irei guardando...

 

Bem escondido;

No ausente pedaço,

Daquele amor maior.

 

 

Só Mais Uma Vez!

 

 

 

Toca só mais uma vez;

Essa nossa canção,

Num leve despertar,

Despertando o coração...

 

Liberta assim a derradeira melodia;

Memórias de um dia,

Ansiada harmonia,

Que entretanto perdi...

 

Toca só mais uma vez;

Essa distante lembrança,

Em forma de música,

Pedaço de esperança...

 

Toca por favor;

Só mais uma vez,

Essa canção que um dia me pertenceu.

 

 

 

O Coração Abandonado De Um Poeta...

 

 

 

As águas deste rio;

Tranquilas e adormecidas,

Acompanham os meus pensamentos,

Juntando as palavras perdidas,

Que foram minhas por um momento...

 

As águas deste rio;

Soletram a minha dor,

Recuperando as lágrimas,

Que nesta ânsia sem pudor,

Por vezes me invadem...

 

As águas deste rio;

Vão fingindo ainda sorrir,

Para num singelo arrepio,

Tocarem a minha triste alma...

 

 E sentindo sem parar;

Caminhando o pensamento por essas livres águas,

Vai continuando a sonhar,

O coração abandonado,

De um poeta.

 

 

 

 

 

As Noites E As Minhas Eternas Saudades!

 

Muitas vezes me aproximo da janela, à noite, esperando reconhecer nas estrelas que brilham intensamente, um rosto conhecido por entre o desconhecido enigma deste destino que nos envolve...

Tantas e tantas vezes procuro naquela escuridão impregnada de cristais cintilantes, um pedaço de mim mesmo, desse passado e das pessoas que já partindo, eternamente fazem parte da minha alma.

Procuro assim atenuar as saudades que insistem em sobreviver, acorrem vezes sem conta à minha mente para recordar a falta que ainda sinto, de cada um...

Por vezes nesse constante reencontro com os momentos que já fugiram, relembro sorrisos e lágrimas, resgato tristezas e alegrias, tentando preencher um vazio que sempre acaba por reaparecer.

Nessas noites, tendo a lua como testemunha, converso com o misterioso desconhecido que insisto em crer será repleto de reencontros ansiados...

E se assim não for?

As dúvidas e anseios próprios desta imensa incerteza que por vezes me invade, fazendo-me olhar novamente para aquelas estrelas, para aquele brilho e através dele voltar a perder-me na crença de que me ouçam.

A noite permanece, as estrelas ali continuam e eu volto a esconder as intensas saudades guardadas em mim, daqueles que para sempre meus, infelizmente, partiram para longe.

Mais uma noite, nesta eternidade pejada de enigmas...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

A efémera intemporalidade!

 

 

 

Quantas vezes imaginei,

Que era eterno o que sentia,

Quantas vezes me enganei,

Sem imaginar que doeria

 

Acreditando na eternidade,

Nessa efémera forma de querer,

Vai chorando essa saudade,

De um tempo a esquecer

 

Sem que possa descrever,

Como  desvaneceu o sentimento,

Essa estranha forma de morrer,

No bater do sofrimento

 

E depois de muitas linhas,

De tantas palavras prometidas,

Escapou se o tamanho amor,

Por entre as feridas,

Da minha triste alma.

 

 

Os Designios Secretos Do Amor

 

 

 

Por vezes basta um sorriso;

Um olhar incontido,

Um entendimento desentendido,

Um caminhar meio perdido,

Para se encontrar esse alguém...

 

Por vezes chega um silêncio;

Um ruidoso instante,

Sem voz, hesitante,

Para num piscar de olhos,

Tudo mudar...

 

Por vezes até;

Basta apenas calar,

Ou secretamente gritar,

O desentendimento;

Que o coração,

Insiste em querer...

 

Por vezes;

E só por vezes,

Se encontra assim,

Um grande amor.

 

 

Quisera Eu...

 

 

 

Quisera eu esquecer o teu olhar,

Para que o meu coração viesse reclamar,

Quisera eu desistir desse eterno amar,

Para que a minha alma demonstrasse o seu desassossegar,

Quisera eu de ti me afastar,

E deixaria de respirar,

A imensa parte de mim que te pertence...

 

Quisera eu que fosse diferente,

E o mundo se tornaria ausente,

Na tua ausência, desistente,

Perdido eternamente,

Desvanecendo impotente,

Descrente...

 

E assim;

Diante de tamanho amor,

Não existe querer,

Somente a intensa vontade,

De o viver.

 

 

 

Verões Da Minha Infância!

 

 

 

Um mergulho tão fundo;

No despertar do verão,

Um prazer vagabundo,

Vagueando pela ilusão,

Reencontro profundo,

Com a distante recordação,

Da minha infância...

 

Este ar quente;

Este sol abrasador,

Reflexo de um tempo já ausente,

Passado acolhedor,

Por entre as memórias da minha mente...

 

E em cada pedaço deste mar;

Onde me pareço perder,

Perdendo-me nesse reencontrar,

Intenso reviver,

Desses verões que já não voltam...

 

A esse tempo,

Onde fui criança.

 

 

Através Dos Teus Olhos!

 

 

 

Através dos teus olhos;

Revejo nesse espelho,

O contraditório sentir da vida,

Complexo enigma,

De uma aventura desconhecida,

Que desconheço...

 

Através dos teus olhos;

Anseio voar,

Descobrir as interrogações,

Desse imenso navegar,

Que nos aprisiona...

 

Através dos teus olhos;

Vejo as vidas que passaram,

As viagens que fizemos,

Que juntos nos escaparam,

Noutros lugares...

 

Através dos teus olhos;

Vejo o mundo,

Vislumbro sem receio,

Esse abraço profundo,

Que eternamente nos une.

 

 

Carta Do Adeus!

 

 

 

É agridoce chorar por ti;

E ainda mais saber que te perdi,

Que se escapou e eu senti,

Que chegara a hora desse adeus...

 

É salgado o sabor das minhas lágrimas;

Como é salgado este destino que me rodeia,

É certamente destemperado,

Tal como esta dor que me cerceia...

 

Apenas me alegra saber;

Que até ao dia em que morrer,

Saberás sem dizer,

Que nunca te faltei.