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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Deserto

 

 

 

A areia do deserto;

Vai guardando as angustias,

Vai passando o tempo incerto,

Incertas dúvidas,

Adormecidas...

 

O silêncio do deserto;

Ruidoso vazio,

Vai escondendo os segredos,

Num imenso rio,

De areia...

 

A solidão do deserto;

Abraçando a alma viajante,

Vai disfarçando a dolorosa,

Caminhada errante,

Que nos invade...

 

A beleza do deserto;

Na sua gigantesca imensidão,

Contrasta imensamente,

Com o bater de um coração,

Que ali se perde,

Num reencontro,

Com as estrelas do destino...

 

E sozinho;

Contemplando esse deserto,

Só meu...

 

Amarro o tempo,

Ao pensamento,

A vontade,

À saudade,

A crença,

À esperança...

 

Naquele deserto;

Só meu...

 

 

 

 

Mil Vezes...

 

 

 

Morreria por ti;

E mil vezes morreria,

Lutaria por ti,

E mil vezes lutaria,

Sangraria por ti,

E mil vezes sangraria,

Tudo sacrificaria;

Tudo,

Por ti...

 

Mas enfim;

O dia se transformou,

Em noite se tornou,

O sol gelou,

E o olhar findou...

 

E apenas sobrou,

Essa destemperada indiferença,

Uma singela parecença,

Do que um dia,

Fomos.

 

 

 

Quando...

 

 

 

Quando se silencia;

O inimaginável,

Quando se questiona,

O inquestionável,

Quando se termina,

O interminável,

Se quebra,

O inquebrável,

Se perde,

O inexpugnável,

Desejado destino...

 

Quando o quadro perde a cor;

O céu o colorido,

Quando da alma foge esse amor,

Sobrando o coração ferido...

 

Quando...

 

 

 

Mar

 

Os rituais repetem-se como um jogo de imagens que frequentemente reaparecem, num misto de recordações que ao sol me parecem preencher.

Os mesmos cheiros, as mesmas vozes, o mesmo rebuliço de verão.

Sinto-me outra vez criança, se é que algum dia o deixei de ser...

O sabor do verão sempre teve em mim essa espécie de nostalgia de algo que por vezes me inquieta, noutras vezes me serena e outras ainda me agita como se estivesse permanentemente a navegar.

O mar exerce em mim essa expressão maior da alma, uma agitação intrínseca que não consigo descrever.

Faz parte de mim, pertence-me, assim como, a ele pertenço.

Esta atracção que me acompanha desde a meninice, reporta-me ao olhar ternurento de minha mãe, aos ensinamentos de meu pai e a essa saudade infindável de tempos que fugiram.

No meio do mar, entrelaçado com a água salgada desse mar imenso que me aguarda, voo na imensa viagem da minha vida.

E com ela, de todos aqueles que guardo na alma.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Ardor Meu...

 

 

 

Pobre poesia;

Esconderijo de uma alma,

Mágoa vazia,

Lágrima perdida,

Escapando num dia,

Distante ferida...

 

Pobre poeta;

Disfarçando a dor,

O livre cometa,

Outrora ardor,

Todavia perdido,

Em tamanho amor...

 

Pobre daqueles;

Que acreditam em vós,

Destino malfadado,

De sofrimento atroz,

Coração despedaçado,

Sem sonho,

Sem voz...

 

Pobre,

Tão pobre,

Ardor meu.

 

 

Desconcertadamente!

 

 

 

As palavras desgarradas;

Que me acenam descompassadas,

Por entre imagens ilustradas,

De memórias bem trancadas,

Que regressam desassombradas,

Resgatando entrelaçadas,

Cada vontade segredada,

Em teus olhos pinceladas,

Neste amor que nos une...

 

Amo-te;

Em cada letra deste poema,

Onde me perco,

Desencontradamente,

Num reencontro,

Que desconcertadamente,

Me preenche!

 

 

Reencontrarei

 

 

 

Tenho saudades tuas;

Minhas,

De tanto e tão pouco ao mesmo tempo,

Nesse tempo outrora nosso,

Tão nosso que se esfumou,

Tão ténue que desvaneceu,

Tão triste que chorou,

Naquele dia em que desapareceu...

 

Tenho saudades tuas;

De ti que já não existes,

De mim que te pertenceu,

Nessa partilha esventrada,

Por cada letra esquecida,

Nessa tristeza amargurada,

Memória envelhecida,

Que ficou no passado aprisionada...

 

Tenho e tenho;

Saudades intermináveis,

Lágrimas inexplicáveis,

Recordações inolvidáveis,

Dores inenarráveis,

Guardadas em mim...

 

E vai rimando a pequena parte de mim;

Que ainda sente enfim,

Que um dia por fim,

Te reencontrarei.