Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Caneca de Letras

Caneca de Letras

Deserto

 

 

 

A areia do deserto;

Vai guardando as angustias,

Vai passando o tempo incerto,

Incertas dúvidas,

Adormecidas...

 

O silêncio do deserto;

Ruidoso vazio,

Vai escondendo os segredos,

Num imenso rio,

De areia...

 

A solidão do deserto;

Abraçando a alma viajante,

Vai disfarçando a dolorosa,

Caminhada errante,

Que nos invade...

 

A beleza do deserto;

Na sua gigantesca imensidão,

Contrasta imensamente,

Com o bater de um coração,

Que ali se perde,

Num reencontro,

Com as estrelas do destino...

 

E sozinho;

Contemplando esse deserto,

Só meu...

 

Amarro o tempo,

Ao pensamento,

A vontade,

À saudade,

A crença,

À esperança...

 

Naquele deserto;

Só meu...

 

 

 

 

Agosto, A Gosto...

 

O que escrever neste último dia de Agosto, por entre mergulhos na piscina e o pensamento esvoaçante em mais um verão que teimou em se escapar, tão levemente como chegou...

Um dia espectacular para compensar aqueles primeiros dias da semana, tristonhos, desagradáveis.

De regresso a casa, nesta Lisboa intemporal, a este rebuliço constante, desfruto com gosto deste calor abrasador, abrasadoramente convidativo, entrelaçado a esta minha vontade de me perder, por entre a água retemperadora que parece olhar para mim...

Chamar-me...

Agosto chega ao fim, neste ano de 2017, deixando para trás as luzidias tardes, as noites claras, o sonho acordado até ao infinito entardecer.

Está a chegar o Outono e depois o Inverno, antecedendo a Primavera...

E depois, novamente, o Verão.

Não sei porquê, mas nunca deixei de sentir na chegada de Setembro, uma certa nostalgia, uma incerta vontade de despedida deste dolce far niente, inerente ao calor e à praia...

Pelo menos na minha mente, sempre assim foi.

Por todas estas razões, deixo aqui neste último dia de Agosto, este meu tributo ao mês, onde a luz parece não ter fim, os rostos parecem ter outra cor, as vozes parecem soar de outra maneira e os olhares desprendidos parecem ganhar expressão em cada pessoa...

Em cada um de nós.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Lady Di...

 

20 anos...

Vinte anos se passaram, por entre as lágrimas dos que por ela choraram, dos que dela se recordam, dos que nunca se esqueceram, dos que suspirando mantêm viva a chama.

Lady Di, morreu em Paris, no túnel da alma, perseguida por uma série de vampiros, montados em motos, de armas na mão, câmaras fotográficas, metralhadoras despudoradas, sem vergonha...

O mundo incrédulo interrogou-se, na expressão maior de um desencanto, desencantada frustração de uma vida esplendorosa, que se perdia.

Diana de Gales, partia, esventrada nas ferragens do Mercedes onde seguia, despedaçada pela crueza de um mundo que a consumia e ao mesmo tempo dela dependia...

Nunca mais uma fotografia valeria tanto, nunca mais uma perseguição seria tão recompensadora, nunca mais um olhar brilharia de tamanha maneira.

Ainda me recordo daquela manhã, naquele momento em que ouvia a noticia por telefone, da boca de um amigo, sem saber porém que o mundo parara, que parara de respirar a Humanidade, deixando que o tempo desmentisse, sem mentir, a incrédula verdade.

Faz hoje vinte anos que partiu Diana...

E vinte anos depois, ainda se sente a sua presença, na tamanha beleza, tão sua.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Mil Vezes...

 

 

 

Morreria por ti;

E mil vezes morreria,

Lutaria por ti,

E mil vezes lutaria,

Sangraria por ti,

E mil vezes sangraria,

Tudo sacrificaria;

Tudo,

Por ti...

 

Mas enfim;

O dia se transformou,

Em noite se tornou,

O sol gelou,

E o olhar findou...

 

E apenas sobrou,

Essa destemperada indiferença,

Uma singela parecença,

Do que um dia,

Fomos.

 

 

 

Autoeuropa!

 

A Autoeuropa enfrentou pela primeira vez em 20 anos uma greve dos seus trabalhadores, algo que surpreende e deixa algumas interrogações no ar...

Será esta a primeira vez que trabalhadores e administradores daquela fábrica, encontram desavenças no seu caminho negocial?

António Chora, o antigo líder histórico da comissão de trabalhadores, agora retirado, veio dar as respostas para muitas das questões, que a muitos causam estranheza.

A intervenção do PCP, através da CGTP, o seu movimento sindical, constitui aqui a grande novidade num processo negocial que ao longo dos anos, sempre conseguiu ser gerido de forma moderada e com cedências de ambas as partes.

Aproveitando o vazio existente na comissão de trabalhadores, aguarda-se o resultado das eleições para uma nova estrutura de liderança, dessa mesma comissão, a CGTP através do seu Secretário Geral e representantes, veio a terreiro tentar construir uma plataforma de influência num local, onde nunca antes o havia conseguido.

Diante destes factos, a administração da Autoeuropa, cumprindo aliás recomendação da sede, mantém-se irredutível no desejo de apenas negociar com a comissão de trabalhadores, como sempre o fez e com os fantásticos resultados que todos ao longo do tempo têm reconhecido.

O perigo que aqui se encontra, é o de um insistente esticar de corda, muito habitual na CGTP e que certamente poderá levar a um novo enquadramento na fábrica de Palmela.

Aos trabalhadores da Autoeuropa importa pensar no caminho percorrido nestes últimos vinte anos, se em algum momento se sentiram lesados, ou pelo contrario, se conseguiram sempre através dos acordos acertados, entre outros por António Chora, condições que poucos podem reivindicar para si, noutros locais, noutras empresas.

Permitirem a entrada de um movimento sindical cristalizado e radical, não os aproximará dos seus direitos, julgo mesmo, que os aproximará do seu contrário.

Assim julgo ser pertinente a eleição da dita comissão de trabalhadores e que estes se recordem do legado que homens como António Chora deixaram, numa relação estreita e saudável com as administrações que os tutelam.

Porque só em conjunto se pode construir o futuro e tanto as anteriores comissões de trabalhadores, como as administrações da Autoeuropa, pareciam disso ter consciência...

Já a CGTP, tenho muitas dúvidas!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Quando...

 

 

 

Quando se silencia;

O inimaginável,

Quando se questiona,

O inquestionável,

Quando se termina,

O interminável,

Se quebra,

O inquebrável,

Se perde,

O inexpugnável,

Desejado destino...

 

Quando o quadro perde a cor;

O céu o colorido,

Quando da alma foge esse amor,

Sobrando o coração ferido...

 

Quando...

 

 

 

GOT: E Agora?

 

E agora, é o que me apetece gritar...

Não estou habituado a esta espera por um novo episódio, pois só me rendi ao GOT, há muito pouco tempo, talvez um ano.

Por essa razão, passei os últimos tempos a consumir as seis temporadas passadas, vendo-as a meu belo prazer, num ritmo frenético e insaciável, descobrindo aquele mundo indescritível com que esta série constantemente nos brinda.

No entanto e ainda imbuído pela excitação do final da sétima temporada, deslumbrantemente realizado, dei por mim a pensar, em como iria resistir a minha curiosidade, a esta espera impensável.

Os cenários que movem a imaginação, as dúvidas que aceleram o pensamento, os receios e deduções inerentes que nos colam à televisão...

Um ano nos separa do grand finale, um ano nos arranca da alma a intensa expectativa, num desespero por um novo capitulo.

E depois?

Depois da oitava temporada?

Com esse vazio preocupar-me-ei mais tarde, pois por agora, ainda tenho uma temporada para sonhar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Mar

 

Os rituais repetem-se como um jogo de imagens que frequentemente reaparecem, num misto de recordações que ao sol me parecem preencher.

Os mesmos cheiros, as mesmas vozes, o mesmo rebuliço de verão.

Sinto-me outra vez criança, se é que algum dia o deixei de ser...

O sabor do verão sempre teve em mim essa espécie de nostalgia de algo que por vezes me inquieta, noutras vezes me serena e outras ainda me agita como se estivesse permanentemente a navegar.

O mar exerce em mim essa expressão maior da alma, uma agitação intrínseca que não consigo descrever.

Faz parte de mim, pertence-me, assim como, a ele pertenço.

Esta atracção que me acompanha desde a meninice, reporta-me ao olhar ternurento de minha mãe, aos ensinamentos de meu pai e a essa saudade infindável de tempos que fugiram.

No meio do mar, entrelaçado com a água salgada desse mar imenso que me aguarda, voo na imensa viagem da minha vida.

E com ela, de todos aqueles que guardo na alma.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Pág. 1/5