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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Odiar...

 

 

 

Silenciosamente;

Se vê pelo caminho,

Indiscretamente,

Um sopro levezinho,

Insistentemente,

Vai segredando baixinho,

Levemente,

Contando devagarinho,

Ardentemente,

A dor de um tontinho,

Que estupidamente,

Vai gritando sozinho,

O ódio guardado na sua mente...

 

Odiar;

Odiando,

Adiando,

Essa parte humana,

Que nos torna,

Pessoa...

 

Uma imagem no espelho;

Espelhando a diferença,

Ignorando o conselho,

De uma nova esperança,

Num mundo melhor.

 

 

 

Luanda: Entre a Miséria E O Luxo!

 

A realidade de Luanda reflecte um pouco a triste caminhada de um País desencontrado, entre a miséria e o luxo, entre a pobreza e a ostentação.

Com o aproximar das eleições, uma reportagem da RTP, demonstra a saciedade o estrabismo esquizofrénico escondido por entre os condomínios luxuosos da baía de Luanda, com o preço mais caro do mundo por metro quadrado e os bairros de lata que envolvem o resto da cidade.

A ilha de ostentação reservada para os membros pertencentes à oligarquia do regime, contrasta com a miséria destinada ao cidadão comum, incapaz de se libertar do jugo familiar que controla aquele País.

As eleições Angolanas serão, como se espera, fraudulentas, uma espécie de farsa que guiará ao poder João Lourenço, como sucessor de José Eduardo dos Santos, à frente dos destinos do MPLA...

E consequentemente, à frente dos destinos da nação.

O poder manter-se-á assim na mesma, com os mesmos, para os mesmos...

Mais do que sinalizar uma realidade contrastante, que todos adivinhávamos, a reportagem emitida pela Televisão Portuguesa, tem como virtude desmascarar aqueles que afectos ao regime, entendem desmentir a verdadeira corrupção, que tomou há muito conta daquele País.

As duas faces de Luanda, são o resultado de anos e anos de poder imposto pelo MPLA, pela cúpula aparelhista que ostenta os dólares do petróleo em seu beneficio e que controlando as forças armadas, guia os destinos daquela pátria a seu belo prazer.

Nada mudará após estas eleições, nada será diferente com esta aparente mudança de lugares, pois o poder permanecerá centralizado na mesma família.

Assim, viajando por entre as faces de Luanda, por entre as diferenças gigantescas que ali se vivem, podemos constatar, o quão falhado se tornou o processo de independência Angolano...

Pois de livre e independente, pouco ou nada, se deve sentir aquele povo.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Desesperança

 

 

 

Sempre que revejo o teu olhar;

Reacende-se a esperança,

Não consigo negar,

Que se renova a querença,

De te amar...

 

Sempre que oiço a tua voz;

Quer o meu coração voar,

Partir por esses céus,

Sonhando navegar,

Por entre as ondas,

Deste amor...

 

Sempre que volto a acreditar;

Sempre que insisto em sonhar,

Sempre que pareço te reencontrar,

Sempre mas sempre...

 

Reaparece aquela lágrima;

Que me recorda aquele ardor,

Que tantas vezes me sobrou,

Como companhia...

 

E aí;

Volto a preferir a solidão,

Como companheira,

Derradeira,

Da minha desesperança.

 

 

O Chavismo Leonino

 

Uma equipa sem dinâmica, amorfa, ofensivamente incapaz, traduzindo desesperadamente a realidade inconsequente, de um Leão sem esperança.

O Sporting que entrou em campo para jogar contra o Steaua foi isto mesmo, um conjunto desgarrado, alertando os adeptos para o fracasso eminente da estrutura.

Estes adeptos sedentos de glória, a mesma que está inscrita no seu lema, acreditaram, acreditam neste projecto popular, por vezes popularucho, que lhes prometeu os tão ambicionados troféus, através da sapiência desse magnifico treinador, dono de uma verdade, cada vez mais difícil de ser justificada.

Os equívocos permanentes, contratações adiadas, rejeições anunciadas de meninos de Alcochete, se mistura com o discurso desconexo e até impreciso.

O Sporting entretém-se com o acessório, desprezando o essencial num caminho distorcido, impregnado de alucinantes erros de casting.

Depois deste jogo da pré-eliminatória da Liga dos Campeões, fico desesperançadamente esclarecido sobre o futuro desta equipa, que se amarra atrás na tentativa de defender bem, esquecendo-se que uma equipa grande necessita inevitavelmente de correr riscos, desequilibrar insistentemente na procura de ser melhor...

Este Sporting não encanta, nem poderia, pois carece de fantasia, não que ela não exista, no entanto, é impossível pedir fantasia quando se prende aqueles que a podem libertar.

Gelson sozinho num flanco, já que o jovem Piccini é do ponto de vista futebolístico inexistente, Podence encurralado entre os defesas adversários, ao lado de um ponta de lança pouco móvel, Adrien preso de movimentos ao lado de um seis que facilmente se desposiciona e por fim a inexistência de um extremo desequilibrador do lado esquerdo...

E o Sporting até o tem, chama-se Iuri Medeiros, só que passa os jogos sentado no banco e assim convenhamos é difícil desequilibrar.

Para terminar, neste texto em jeito de desabafo, fica a esperança de que algo mude, para que o futuro do meu querido clube, possa trazer com ele os sonhos que todos ambicionamos.

Assim como na política, as revoluções no futebol, trazem sempre uma esperança inicial que o tempo se encarrega de diluir na triste realidade da incompetência.

É assim que se encontra o meu Sporting, esperando que o seu reinado Chavista passe...

Para que um novo tempo chegue.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Eras...

 

 

 

Ajoelhada e devastada;

Vai correndo,

Desbragada,

Vai gemendo,

Desengonçada,

Vai temendo,

Desamparada,

Vai querendo,

Desperançada...

 

E vai continuando a sorrir;

Enquanto arde aquela dor,

Vai continuando a sentir,

Que já não sente aquele amor,

Que escapou...

 

Deixando um nada;

Do tamanho de um tudo,

Assim como tudo,

Eras tu para mim.

 

 

 

 

 

Começou A Premier League!

 

Começou a Premier League, com mais um jogo espectacular, impregnado de incerteza, de beleza, de uma fenomenal demonstração de qualidade.

Arsenal e Leicester, num estádio lotado, com milhões de pessoas em todo o mundo atentas, sedentas de futebol com esta dimensão...

E não foram defraudadas.

A beleza deste jogo, marcado por reviravoltas e ritmo, de uma vertigem pelo golo incompreensível mas que aporta a todos os instantes, uma magia não vista em mais nenhum campeonato.

Ali nas terras onde nasceu o futebol, se cruzam as verdadeiras emoções futebolísticas, os derradeiros apaixonados pelo romantismo pueril, que mantêm viva a chama de uma imensa poesia.

A classe de alguns dos melhores jogadores do mundo, Ozil ou Mahrez, a dimensão competitiva de outros e a busca insanável pela satisfação de cada um dos seus adeptos, levada ao limite da vertente táctica, da estética da técnica, da determinação impregnada em cada um dos intervenientes...

Ali o negócio do futebol, respeita a verdadeira natureza do mesmo, numa tentativa imprescindível para que não se destrua a credibilidade daqueles princípios que norteiam este desporto.

E assim, depois de alucinante hora e meia, de uma irreverente ansiedade, festejam mais do que uma vitoria, mais do que sete golos, mais até do que todas emoções que ali foram explanadas...

Festeja-se o regresso da Premier League e com ela o regresso do sonho intemporal, de um simples jogo de futebol.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

Melodiosa Infelicidade...

 

Uma estrada longínqua, distante, caminhada interminável sem olhar para trás, esquecendo as amarguras, as dores que a alma insiste em recordar, recordando ansiosamente esses eternos momentos que para sempre nos definirão...

Em cada momento, a cada sentido sentimento, buscando em olhares perdidos, os reencontros que se foram, que parecendo eternos se diluíram nessa realidade sofrida ou no sofrimento real que nos invade.

Uma estranha beleza poética descrita por palavras, por vezes omitidas, outras ainda silenciadas, num repetido afastamento, quase bailado, num cenário cristalino, imaginário, tão inexpugnável como a fortaleza de areia que outrora se encontrava altiva, numa qualquer praia...

Palavras amarradas umas às outras, aprisionadas numa corrente de memórias, desconexas, embaciadas pelo tempo, o mesmo que outrora nos fizera voar e percorrer sem amarras os mundos escondidos, na irrealidade imortal de um destino...

Os céus pejados de nuvens, de medos e anseios, de gritos e receios, de futuros adiados, numa esperança interminável, de reencontrar em cada olhar, em cada pessoa, o mesmo sorriso, a mesma expressão, que sem recordar ainda guardo sem saber.

E pincelando com letras, a folha de papel, escrevinhando soletradamente as divagações entrelaçadas que parecem se libertar secretamente, numa melodiosa desesperança, tornada canção...

Uma a uma, pintadas nesse quadro como o som de um piano, a leveza de um violino, a simplicidade de uma lágrima tão discreta como infeliz.

Mas sempre poética, sempre guardada na beleza verdadeira de um singelo e sentido querer, que nunca deixou de o ser...

Verdadeiro.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

  

 

 

 

Nós!

 

 

 

Já não tem brilho;

O brilhante céu;

Já não nos prende,

O aprisionado destino,

Já não nos une;

O unido futuro,

Já não nos consome,

Aquele consumido amor...

 

Já não nos amarra;

O amarrado olhar,

Já não nos compreende,

As incompreendidas almas,

Já não nos pertence,

A vontade de antigamente...

 

Já não somos nós;

Nem o voltaremos a ser.

 

 

Diana: Pelo Olhar De William And Harry!

 

A SIC exibiu no Jornal da Noite o documentário, Diana: A Nossa Mãe,  20 anos após a morte da Princesa do Povo...

Pelos olhos dos que lhe eram mais queridos, este documentário impressionou pela participação dos seus filhos, William e Harry, que jamais se haviam demonstrado disponíveis para este tipo de partilha intimista com o público.

Este gesto dos seus filhos, representa um tributo à memória de sua Mãe, ao significado desta na vida de tantas pessoas e essencialmente contribuir para mostrar um lado da Princesa, que lamentavelmente se viu constantemente subalternizado, perante a busca de alguns, por sensacionalismos cruéis que insistentemente a perseguiram...

Esse lado espelhado nas palavras e no olhar daqueles dois homens, um dia meninos, comoveu, envolveu e certamente deixou Diana orgulhosa daqueles rapazes que ali a recordavam.

William e Harry, quebraram regras e tradições, folhearam memórias e retratos, libertaram dores e até rancores, dando um lado honesto e real sobre si mesmos e consequentemente sobre sua Mãe.

Talvez pela primeira vez, ao fim de 20 anos, se possa dizer que ali se falou de Diana sem buscar a sensação, a intriga, a coscuvilhice...

Apenas encontrar o olhar dos muitos a quem tocou, em Angola, em Inglaterra, na Bósnia, num combate sem medos contra a descriminação ou no apoio aos sem-abrigo, na luta contra as minas ou resgatando jovens amputados em viagens que ninguém ousava fazer. 

Apenas encontrar o olhar das pessoas que a amavam...

E quem melhor para falar de uma Mãe?

Do que os filhos que tanto amou.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

O Teu Olhar

 

 

 

Serve o teu olhar;

Para me recordar,

Desse caminho a escrevinhar,

Por entre o confuso escutar,

Que insiste em chegar,

Meio sonho ao acordar,

Despertando esse respirar,

Que te pertence...

 

Serve o teu olhar;

Para o meu coração aconchegar,

Aconchegando sem parar,

Esse destino a corar,

Que te pertence...

 

E pertencerá;

Neste imenso amar,

Sem fim.

 

 

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