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Caneca de Letras

Caneca de Letras

A Imunidade de Michael Flynn e As Bruxas de Donald Trump...

 

O cerco a Donald Trump adensa-se e à estrutura que o acompanhou rumo à Presidência dos Estados Unidos da América...

A investigação levada a cabo pelo FBI, sobre as ligações entre a entourage de Trump e a Rússia de Putin, para concertar estratégias com o propósito de manipular as eleições, começa a dar resultados e mesmo aqueles que ceticamente olhavam para esta possibilidade, vão se calando e aguardando o seu desfecho.

Ninguém parece já questionar o nível de envolvimento do Kremlin em todo este processo, faltando agora compreender até onde foi possível ir, nesta interferência sem precedentes, e o quão concertado com os homens de Trump estava.

O General Flynn, demitiu-se da administração Americana, depois de ter ficado provado, as reuniões que manteve durante a campanha eleitoral com altos quadros Russos, levantando assim a ponta de um icebergue, que talvez possa derrubar o actual Presidente Americano.

Flynn, através dos seus advogados, já veio dizer, que está disponível para falar...

Melhor, deseja falar.

Mas que em contrapartida necessita de garantir uma imunidade neste processo, que o possa resguardar de qualquer crime cometido no decorrer desta história.

Ora bem, só este pedido, já denuncia o que se esconde por trás das palavras não ditas, do General Flynn...

O terramoto que poderá acontecer, aquando dessas revelações, certamente poderá mudar um pouco mais, a percepção das pessoas, do já de si agitado mandato presidencial, deste impreparado Presidente.

Trump acossado e até isolado mesmo no seio do seu partido, como se viu na votação para a substituição do Obamacare, tende a responder sem nexo, através de tweets exasperantes e buscando sem razão as bruxas que na sua mente, o perseguem sem fim...

Talvez com este processo, Trump consiga finalmente perceber, que as bruxas sempre estiveram ao seu lado, falam russo e o levaram até à Casa Branca.

A diferença é que agora já todos o sabem.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Era Uma Vez Um País, Chamado Venezuela...

 

O golpe de estado que acaba de acontecer na Venezuela, não é surpreendente, não é sequer inesperado...

A Venezuela há muito que deixou de ser um país, uma nação, sequestrada pelo populismo desmedido de Hugo Chávez e de seguida com o desaparecimento deste...

Do seu homem de mão.

O rasgar da constituição empreendido pelos apoiantes de Maduro, nada mais é do que um acto destemperado de alguém cada vez mais isolado, desesperado e que vê nesta oportunidade, uma escapatória para a ilusória ideia de que é possível perpetuar esta situação.

A Venezuela de Chávez era tenebrosamente sombria, disposta a tudo para cumprir os caprichos daquele que em nome do povo se legitimava, vezes sem conta, no entanto e apesar do caminho descontrolado, demagogo com que governava, o petróleo que jorrava sem parar no território Venezuelano, aliado aos preços exorbitantes com que se transacionava esse bem raro, permitiam aos Chávistas concretizar os desmandos enlouquecidos do seu líder, num aparente bem estar, que na verdade, não poderia ser concretizado.

Com a queda do preço do petróleo, aliado ao desaparecimento de Chávez, a Venezuela, encontrou finalmente o destino para o qual vezes sem conta, Capriles, tanto tinha alertado...

A inflação disparou, a corrupção tornou-se um hábito, o crime passou a fazer parte do quotidiano, os bens escasseiam, o desespero aumenta até mesmo, em alguns sectores, fortemente Chávistas.

Maduro permanece no local de onde não pode sair, sem que a sua cabeça role, caia, seja decepada, por aqueles que permanecem amordaçados ao longo de décadas...

Este último acto, desesperado, faz me lembrar os últimos momentos de Ceausescu, ou de outros lideres, no fim de linha, no fio da navalha.

Acredito que a chave deste enigma estará nas mãos do exército, cada vez mais pressionado, mais insatisfeito com o Status Quo vigente, que se tornou incapaz de satisfazer as suas prementes necessidades, e que comprava essa protecção que os mantinha no poder...

Rasgando a constituição Maduro torna-se o Rei Sol, o absoluto senhor dos destinos sombrios desta Venezuela cada vez mais perdida, por entre os pesadelos de cada cidadão.

A esperança presa em cada palavra de Capriles, deverá ser a de cada Venezuelano livre, disposto a lutar por um país diferente, onde se possa novamente acreditar...

Acreditando numa sociedade plural e próspera.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Mesmo...

 

Mesmo que o céu caia sobre nós;

Colocar-me-ei sobre ti,

Mesmo que as estradas desabem,

Carregar-te-ei ao colo,

Mesmo que o mar engula o horizonte,

Nadarei contigo nos meus braços,

Mesmo que o vento se revolte,

Com a minha alma proteger-te-ei...

 

Mesmo que a vida nos separe;

Romperei barreiras para segurar-te,

Com as mãos,

Nos meus braços,

No meu querer,

Como te quero...

 

Mesmo que a lua colida com a terra;

Que o sol imploda,

Mesmo que o mundo acabe,

Ter-te-ei em mim...

 

Mesmo que a morte te queira;

Mesmo assim meu amor,

Percorrerei a eternidade,

Só para te encontrar...

 

E quando pela primeira vez, olhares;

Lá estarei...

 

Noutra vida, noutro momento;

Lá estarei...

 

Porque mesmo sem te ver;

Mesmo se tudo falhar,

Será preciso mil vezes morrer,

Para deixar de te amar.

 

 

 

 

 

Os Sovietes, Disfarçados De Democratas!

 

 

O clima que se vive nos dias que correm na Rússia, demonstram completamente, o enviesamento que sofre a actual democracia Russa...

O que aconteceu ontem, aos opositores de Putin, naquela manifestação que denunciava a corrupção latente naquele país, evidencia sem dúvida o totalitarismo e autoritarismo vigente, em terras do antigo Czar.

A sociedade Russa, nunca conseguiu ultrapassar a queda do império soviético, e a sua crescente perda no panorama internacional, além da grave crise económica que ao longo dos anos de Ieltsin se fez sentir, através de um enorme despesismo e corrupção gritante, em beneficio de alguns oligarcas...

O povo então suspirou, saudosista, lembrando-se daqueles gloriosos anos, que distantes pareciam mais românticos, mais embelecidos pela memória dos muitos que não os viveram, deixando que assim surgisse na penumbra dessa saudade, escondido num qualquer gabinete de assessoria em São Petersburgo, essa figura central da política Russa, chamado Vladimir Putin.

O que Putin trouxe à Rússia, nada mais é do que a sensação de Império erguido novamente, de forma diferente, de maneira completamente distinta, mas que no entanto importa para o ego daquele povo, essa sensação de grandeza aprisionada às imagens guardadas na história dos seus antepassados.

Os oligarcas mantêm-se, o despesismo também, a corrupção resiste desde o interior das paredes do Kremlin, mas a mão pesada, instalada com firmeza e autoridade pelo Presidente, quase Czar, essa cala e mata aqueles que se atrevem a contrariar esse destino traçado.

Denunciar Medvedev ou Putin, na Rússia actual é um acto corajoso e patriótico, com resultados evidentes, por entre o inúmero rol de mortos espalhados pelo mundo, desde Londres a Kiev, de opositores exilados do regime que por bala ou veneno, vão desaparecendo, sem espanto nem escândalo.

O mundo assiste calado, talvez segredando, sem relevo, o que se desconfia sabendo, ou o que se sabe desconfiando...

E assim Putin, estende agora a sua influência através de eleições noutros países, tentando criar cenários que permitam à Rússia voltar a ser potência dominante numa Era, em que a ameaça Chinesa lhe poderia retirar a influência que sempre sonhou reerguer, e que tanto tenta construir na mente daqueles que são os seus.

Putin não passa de um ditador férreo e demagogo que através de discursos populistas condiciona a vida dos seus cidadãos, reconstruindo o orgulho soviético em cada momento e a cada momento...

Estes opositores abandonados em parte, pelas democracias ocidentais, lutam para denunciar junto da comunidade internacional e nacional, os desmandos e abusos constantes sob o regime implantado naquele país, sendo que em muitos casos não passam de nota de rodapé...

Por isso da minha parte, aqui vai o meu solidário texto, homenageando aqueles que corajosamente combatem, os Sovietes disfarçados de democratas.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Esqueci-me!

 

Esqueci-me de ti;

Dessa vida que não quisemos,

Das escolhas por fazer,

Que não escolhendo fizemos,

Que não fazendo tomámos,

Que não vivendo perdemos,

Do coração que não escutámos,

E que ao longe continua a bater...

 

Esqueci-me de nós;

Dos ventos arrependidos,

Na multidão tão sós,

Pensamentos perdidos,

Desejos sem voz,

Que esvoaçaram esquecidos,

Na penumbra desse passado...

 

Esqueci-me desse amor;

Pelo qual não soube lutar,

Essa mágoa, talvez ardor,

Numa qualquer noite de luar,

Pincelando essa dor,

Que sobrou desse nosso amar...

 

Esqueci-me de tudo;

Mas o meu coração,

Não!

 

 

 

 

 

Desencontros...

 

Abeiro-me à distância, escondido, envolvido pela neblina que se descerrou sobre o passado que um dia nos ligou...

Tão distante...

Tão nosso.

Vislumbro-te à distância nestas recordações, nos olhares presos ao coração que algures no tempo nos pertenceu...

Foi nosso.

Através daquelas árvores, daquelas pessoas, daquele constrangedor momento, recuo dezenas de anos, uma vida, até à encruzilhada maior que nos haveria de separar para sempre...

Tantas perguntas, me acometem, me perseguem, sem saber se a ti também...

Se também os medos, os desejos, te perseguem da mesma maneira?

Como permaneces bela, discretamente bela, depois de uma eternidade nos ter ultrapassado no tempo, nos ter transformado em resquícios do que um dia fomos, nesse momento que existiu em nós.

Caminhos diferentes prosseguimos, destinos diferentes percorremos, rumos diferentes tomamos, sem saber como isso mudaria tudo...

Os cabelos brancos que já não conseguem esconder, o tempo, a lentidão dos passos, que não conseguem disfarçar a idade, tudo aquilo, que para trás ficou.

E aqui permaneço, escondido, ao longe, secretamente sonhando com a realidade inexistente, com aquele beijo gravado na memória, entrelaçado às promessas que naquela noite trocámos, sem saber que seria a derradeira, mesmo tendo sido a primeira...

Como ainda tremo, em tua presença, com o receio de cruzar contigo o olhar e por um instante regressar, sem voltar verdadeiramente, àquele menino cheio de esperança na alma, de querença no coração, de vontade e determinação no querer.

E assim, volto as costas, parto outra vez, sem falar, sem me aproximar, sem saber se também um dia sonhaste com os destinos que ficaram por cumprir.

E devagar, devagarinho, procuro nas recordações, essa vida que me fugiu...

Que nos fugiu...

Sem nunca chegar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

Cartas de amor...

 

 

 

Cartas de amor;

Escritas nas trincheiras,

Impregnadas de uma dor,

Saudade verdadeira,

Nesse sonho voador,

De cada lágrima inteira,

Amarrada ao temor,

De cada palavra ordeira,

Correspondendo sem pudor,

À esperança derradeira.

 

De te voltar a olhar;

De novo ver-te sorrir,

De voltar a acreditar,

Que é possível, novamente, sentir,

O teu amor.

 

 

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